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Por que somos pobres?

Em algum momento entre 2003 e 2006, muita gente acreditou que o Brasil, enfim, parecia trilhar o caminho da convergência. A transição do governo FHC para a administração petista manteve a macroeconomia intacta, bem como prometia trazer boas novas na microeconomia. Economistas liberais estavam postos na diretoria do Banco Central, no Ministério da Fazenda e na construção de uma política social mais focalizada – que daria origem, diga-se, ao Bolsa Família. Saía o discurso fácil do “Fora FMI” e entrava o pragmatismo da escassez. Eram, de fato, bons ventos.

Os problemas que ocorreram desde então parecem fartamente documentados em livros, artigos e textos de discussão. A saída de Palocci do governo petista, com a emergência da dupla Dilma-Guido no comando da economia, promoveu a ruptura nesse processo de convergência. A crise de 2008 jogou gasolina na ruptura, acelerando o abandono do tripé macroeconômico (superávits primários, câmbio flutuante e metas para inflação) e a desconstrução da microeconomia.

Muita tinta ainda será gasta para explicar os desmandos da Era Dilma que radicalizaram essa ruptura. Em certo sentido, saímos de um cenário com perspectiva de crescimento em torno de 5% e inflação mais próxima de 3% para o seu oposto. Acaso o processo de convergência tivesse sido aprofundado, as reformas microeconômicas que ficaram faltando na década de 90 teriam sido aprovadas, garantindo um melhor ambiente de negócios. Hoje, forçando o otimismo, cresceremos 2% ao ano, com inflação convergindo para a meta de 4,5% (uma inflação elevada para os padrões internacionais, diga-se).

Diante da ruptura, cabe a pergunta: onde erramos?

A resposta pode ser de uma simplicidade estonteante. Há ainda entre uma parcela considerável dos nossos economistas o desconhecimento do que, de fato, gera desenvolvimento econômico. Aquela convergência que muita gente achou que estava em curso não abrangia a maioria dos nossos economistas. Muito pelo contrário, era visceralmente atacada por eles.

O crescimento econômico se dá como um processo de aumento sistemático da produtividade, proporcionado, basicamente, por inovações tecnológicas e capital humano. Em outras palavras, o aumento da produtividade não é a causa do crescimento, é o próprio processo de crescimento em si. O que causa crescimento – aumento sistemático da produtividade – é a forma como os incentivos estão postos na sociedade.

Nossa pobreza se explica, nesse contexto, pela forma como os incentivos estão equivocados em nossa sociedade. Entre as 15 profissões mais bem pagas no país, 9 estão no setor público. Abrir um escritório em Brasília, construindo laços com o poder estatal, é algo mais incentivado no atual estado de coisas do que promover uma inovação.

O menino na casa dos 20 e poucos anos que faz engenharia nesse momento pode preferir fazer um concurso para o poder judiciário do que construir um aplicativo para Iphone. A burocracia para criar uma empresa ou o risco de desemprego em uma empresa privada competem com salários elevados e estabilidade no setor público.

O Estado brasileiro define nossa pobreza, ao colocar os incentivos no lugar errado. Ele mantém uma economia muito fechada, garantindo rendas de monopólio em diversos setores e baixa absorção de tecnologia da fronteira. Ele promove a desigualdade de renda, ao distorcer o mercado de trabalho e ao garantir educação superior subsidiada apenas para alguns e péssima educação básica pública para muitos. E, claro, torna o ambiente de negócios inóspito, com uma legislação ensandecida.

O Estado brasileiro ao invés de ser o árbitro nos diversos conflitos entre os agentes é ele próprio o maior causador de conflito, tendo sido capturado por alguns em claro detrimento do bem estar da sociedade.

Como mudar? É preciso convencer corações e mentes de que os incentivos precisam ser postos no lugar certo. Ao Estado caberia, basicamente: (i) operar uma política econômica intertemporalmente consistente; (ii) construir um ambiente de negócios propício ao investimento, à inovação e ao acúmulo de capital humano; (iii) arbitrar conflitos com celeridade; (iv) promover igualdade de oportunidades.

A crise econômica que vivemos tem raízes estruturais na medida em que sinaliza o abandono da agenda que levaria o Estado a cumprir esses quatro itens. A política fiscal foi dilacerada, enquanto a monetária descuidou do seu objetivo básico, a inflação. O ambiente de negócios sofreu forte intervenção, o que deixou tonto o mecanismo de preço. Os processos no judiciário continuam tendo um final distante. E o Estado continua promovendo desigualdade de oportunidades, notadamente na educação.

A saída da crise, nesse contexto, pode ser conjuntural, uma espécie de volta à posição de equilíbrio que vivíamos antes da Era Dilma ou pode ser estrutural. Para tal, devemos voltar à convergência rascunhada entre 2003 e 2006. Possível?

As vozes contrárias à convergência são muitas e bastante influentes. Entretanto, nos últimos dez anos um movimento liberal emergente tem se propagado pelo país. Parece uma resposta à ruptura. Temas como privatização, melhora do ambiente de negócios, transparência e controle dos gastos públicos, avaliação de políticas públicas, dentre tantos outros, já são tratados e discutidos por grupos cada vez maiores. Sem preconceitos.

Pode vir daí a volta à convergência? Será uma luta política, não tenha dúvidas. Afinal, a teoria econômica e a evidência empírica apenas indicam o caminho do desenvolvimento. Cabe à cada sociedade querer utilizá-las ou não…

Vítor Wilher

Vítor Wilher

Bacharel e Mestre em Economia

Vítor Wilher é Bacharel e Mestre em Economia, pela Universidade Federal Fluminense, tendo se especializado na construção de modelos macroeconométricos e análise da conjuntura macroeconômica doméstica e internacional. Sua dissertação de mestrado foi na área de política monetária, titulada “Clareza da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil”, defendida perante banca composta pelos professores Gustavo H. B. Franco (PUC-RJ), Gabriel Montes Caldas (UFF), Carlos Enrique Guanziroli (UFF) e Luciano Vereda Oliveira (UFF). É o criador do Blog Análise Macro, um dos melhores e mais ativos blogs econômicos brasileiros, sócio da MacroLab Consultoria, empresa especializada em data analysis, construção de cenários e previsões efundador do Grupo de Estudos sobre Conjuntura Econômica (GECE-UFF). É também Visiting Professor da Universidade Veiga de Almeida, onde dá aulas nos cursos de MBA da instituição. Leia os posts de Vítor WilheraquiCaso queira, mande um e-mail para ele:vitorwilher@analisemacro.com.br

O consumismo não gera crescimento econômico – e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana

Uma das falácias econômicas mais perniciosas e difundidas é a crença de que o consumo é a chave para uma economia sólida e em contínuo crescimento.Ouvimos essa ideia constantemente na imprensa e nas conversas casuais, especialmente em épocas de recessão econômica. As pessoas dizem coisas como: “Ah, se todos começarem a comprar novamente, a economia voltaria a crescer” ou “Se conseguíssemos colocar mais dinheiro nas mãos dos consumidores, sairíamos dessa recessão”.

Essa crença no poder do consumo não apenas conduziu grande parte da política econômica nos últimos anos, com seus infindáveis pacotes de estímulo, como também estimular o consumo sempre foi o objetivo supremo de todas as políticas econômicas adotadas por governos.

Tal ideia é uma herança do equivocado pensamento keynesiano.  Ela ignora o fato de que é a produção, e não consumo, a fonte de riqueza.  Se o que se quer é uma economia saudável, então é imprescindível criar as condições para que empreendedores possam produzir e criar riqueza.  Igualmente importante é criar as condições para que pessoas e empresas possam poupar o suficiente para financiar toda essa produção e, também, para consumi-la no futuro.

Quanto mais poupança, maior a quantidade de fundos a serem emprestados.  Quanto maior a quantidade de fundos a serem emprestados, menores os juros.  Quanto menores os juros (e os juros serão baixos por uma consequência de mercado, e não por manipulação de um Banco Central), mais economicamente viáveis serão os investimentos de longo prazo, que são os que realmente enriquecem uma economia e geram maiores salários.

Simultaneamente, quanto maior a poupança, maior a capacidade de consumo futura da população.  Mais demanda haverá para os investimentos de longo prazo iniciados hoje.

É tentador dizer que essa questão do consumo é uma espécie de enigma “do ovo e da galinha”: afinal, qual é o benefício de se produzir coisas se não houver ninguém para consumi-las? A solução para essa charada é reconhecer que somente temos o poder de consumir se antes produzirmos e vendermos algo para então termos os meios de consumir. É impossível consumir sem antes você ter produzido e vendido (como a sua força de trabalho, por exemplo).

Iniciar a análise pelo consumo pressupõe que o indivíduo já adquiriu os meios. Contrariamente a essa análise, a riqueza é criada por meio de atos de produção que rearranjam recursos de uma maneira que as pessoas valorizam mais do que arranjos alternativos.  Esses atos são financiados com a poupança que vem de indivíduos que se abstêm do consumo.

A criação de riqueza e os consumidores

Em uma economia capitalista, a riqueza está majoritariamente na forma de capital.

Capital é toda a riqueza acumulada que pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de se auferir receitas e lucros.  O capital abrange todas as fábricas, minas e fazendas agrícolas, bem como todos os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação, todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.

Capital, portanto, é a riqueza empregada na produção, e subsequente venda, de bens e serviços.  Essa riqueza é o alicerce tanto da oferta dos produtos que as pessoas compram quanto da demanda pela mão-de-obra que as pessoas vendem.

Quanto maior a riqueza dessa economia, maiores serão os salários reais.  E por dois motivos: haverá uma maior oferta de bens produzidos e uma maior demanda pela mão-de-obra de assalariados.

Tributar os lucros dessas empresas significa privar-lhes de fundos que elas utilizariam para adquirir bens de capital e pagar salários.  Déficits governamentais também geram o mesmo efeito, pois são majoritariamente financiados com o dinheiro que essas empresas emprestam para o governo.  Portanto, tanto a tributação quanto os déficits governamentais irão reduzir a demanda por (e a produção de) bens de capital e a demanda por mão-de-obra.  Em outras palavras, déficits governamentais e tributação reduzem o nível da produção, contribuem para a elevação dos preços e impedem o aumento de salários.

Consumidores e seu ato de consumo não são e nem podem ser os responsáveis pelo desenvolvimento industrial de nenhum país.  Consumidores possuem uma miríade de necessidades e desejos, os quais permaneceriam totalmente não realizados caso empreendedores e capitalistas não investissem sua riqueza e capital acumulado para encontrar maneiras de suprir essas necessidades e desejos.

Empreendedores e capitalistas irão investir sua riqueza e capital na criação e desenvolvimento de novos e aprimorados produtos, bem como de mais eficientes e menos custosos métodos de produção, tudo para satisfazer os desejos dos consumidores.  E quando tais aprimoramentos forem introduzidos, só então os consumidores irão adquiri-los, e frequentemente em ampla escala.

As empresas e indústrias que produzirem os melhores produtos, ou os mais baratos, e com isso conquistarem grandes fatias de mercado, irão se expandir continuamente, tornando-se assim grandes integrantes do sistema econômico.

Isso, no entanto, não significa que haverá um aumento geral no número de empregos.  Por exemplo, ao passo que o desenvolvimento da luz elétrica levou a um grande aumento no número de empregos relacionados à produção de lâmpadas incandescentes e de fiação elétrica, tal fenômeno também levou a uma quase total extinção da produção de velas, lanternas e lâmpadas a gás, com uma correspondente perda no emprego nestas áreas.

Similarmente, quando o automóvel substituiu o cavalo e a charrete, o vasto número de empregos criados na indústria automotiva foi acompanhado de uma maciça perda de empregos nos setores de construção de charretes, ferraria, criação de cavalos, fabricação de selas e cultivo de aveia.

Não há estímulos benéficos

Por tudo isso, o ato de colocar mais recursos nas mãos dos consumidores por meio de pacotes de estímulo governamental falha exatamente porque a riqueza transferida provém, acima de tudo, dos produtores. Isso é óbvio quando o gasto é financiado por impostos; porém, é igualmente verdadeiro quando se trata de déficits do governo e inflação.

Em caso de déficits, como dito, a riqueza vem das compras de títulos do governo pelos produtores. Com a inflação monetária, o efeito é outro.

Levados pela crença de que é o consumo o que gera emprego, economistas keynesianos defendem estimular o consumo por meio da inflação monetária — isto é, da criação de quantias adicionais de dinheiro.  Tal procedimento tem o potencial de aumentar o emprego apenas sob determinadas circunstâncias: somente se aqueles vendedores de bens de consumo que estiverem sendo premiados com esse volume adicional de gastos dos consumidores pouparem e investirem essas suas receitas adicionais.  Nesse caso, eles poderão expandir sua produção e contratar mais mão-de-obra.

Porém, se eles também consumirem essas suas receitas adicionais, ou se o governo tributar essa receita adicional — e ele fará isso —, não haverá aumento nos gastos para mão-de-obra ou bens de capital.  Consequentemente, não haverá aumento no emprego.

O poder da inflação monetária em promover o emprego também depende de os sindicatos serem fracos ou até mesmo não existentes.  Se existirem sindicatos e eles forem poderosos, então eles irão se aproveitar da inflação para exigir maiores salários nominais — mesmo em meio a um maciço desemprego —, anulando desta forma a capacidade de um maior volume de gastos por mão-de-obra aumentar o emprego.

Obviamente, é desnecessário enfatizar que a inflação faz com que o poder de compra de todas as pessoas, e em especial dos mais pobres, seja reduzido, o que irá afetar diretamente o poder de consumo futuro — que é exatamente o contrário do almejado por essa política.

Em nenhum desses casos, portanto, o governo criou riqueza.  Tampouco o consumo o fez. A capacidade de consumir continua dependendo de atos anteriores à produção.

Se o que se quer é um estímulo econômico de verdade, então os empreendedores devem ser liberados para fazer suas atividades.  E a maneira certa de se fazer isso é criando um ambiente mais propício para a produção, em vez de penalizar a poupança que a financia.

Culpe Keynes

Historicamente, foi o keynesianismo quem introduziu a ênfase no consumismo como a força-motriz da economia. Antes da revolução keynesiana, a crença padrão entre os economistas era que a produção era a fonte da demanda e que encorajar a poupança e a produção era a maneira de gerar crescimento econômico.

Essa era a compreensão correta da Lei de Say. Como o próprio Jean-Baptiste Say escreveu no início do século XIX:

O estímulo ao mero consumismo não é benéfico para o comércio; a dificuldade está em ofertar os meios e em produzir, e não em estimular o desejo pelo consumo; e já vimos que somente a produção fornece tais meios. Portanto, é o objetivo do bom governo estimular a produção, e do mau governos estimular o consumo.

É claro que “estimular a produção” nada mais é do que deixar os produtores livres para buscarem o lucro como desejarem, dentro de um arcabouço liberal-clássico. Isso não significa que o governo deve beneficiar artificialmente produtores, assim como não deve estimular o consumo.

A grande ironia é que os esquerdistas frequentemente argumentam que o capitalismo é sinônimo de “consumismo”. Eles genuinamente pensam que os defensores do livre mercado acreditam que mais consumo promove crescimento econômico.  Consequentemente, somos acusados de fornecer uma espécie de cobertura ideológica para justificar aquele consumismo que, na visão deles, destrói vidas e desperdiça recursos.  O que esses críticos de esquerda não percebem é que os economistas clássicos nunca viram o consumo como sendo a força-motriz do crescimento econômico e da prosperidade.  Quem introduziu essa ideia foi Keynes e quem a entronizou foram os economistas keynesianos críticos do livre mercado.

Graças ao keynesianismo, a manipulação dos elementos que compõem a equação do PIB (consumo, investimento e gastos governamentais) se tornou o foco de todas as políticas macroeconômicas. Foi o arcabouço teórico keynesiano que levou à criação das estatísticas de PIB e que implicitamente gera as incitações para mais consumo.

Por mais de 150 anos, os defensores do livre mercado viram o consumismo como destruidor de riqueza, e a poupança como a sua criadora. Eles nunca defenderam que “estimular o consumo” era o caminho para a prosperidade. Portanto, eles não podem ser acusados de justificarem a “cultura consumista”. E o mesmo é verdadeiro para os defensores do livre mercado do século XX, como Mises e Hayek.

Se a esquerda progressista quer lamentar o enfoque da economia moderna no consumo, então ela deveria voltar suas artilharias para os intervencionistas keynesianos.

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George Reisman é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

Steve Horwitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective.

 


 

Fonte: Instituto Mises

Fique por dentro das 5 principais notícias desta semana

© Reuters.  Fique por dentro das 5 principais notícias do calendário econômico desta semana
© Reuters. Fique por dentro das 5 principais notícias do calendário econômico desta semana

Investing.com – Nesta semana, os participantes do mercado estarão prestando atenção a um discurso muito esperado da presidente do Banco Central dos EUA (Fed), Janet Yellen, na segunda-feira, para mais pistas sobre o momento da próxima alta de taxas nos EUA.

Essa última semana antes da reunião do Fed nos dias 14 e 15 de junho é relativamente leve no que diz respeito a dados, com a maioria do foco propenso a cair sobre o sentimento do consumidor na sexta-feira para avaliar a saúde da economia.

Enquanto isso, a China deve divulgar dados sobre comércio e inflação em meio às atuais preocupações com a saúde da segunda maior economia do mundo.

Fora do G7, os traders estão aguardando anúncios sobre a política monetária do Banco Central da Austrália na terça-feira e do Banco Central da Nova Zelândia na quarta-feira.

Antecipando-se à próxima semana, a Investing.com compilou uma lista dos cinco maiores eventos do calendário econômico que podem afetar os mercados.

1. Pronunciamento da presidente do Fed, Janet Yellen

A presidente do Fed, Janet Yellen, deve fazer um pronunciamento sobre a perspectiva econômica e a política monetária no World Affairs Council of Philadelphia, às 16h30min. GMT, ou 12h30min. ET, na segunda-feira.

Seu discurso poderia assumir uma maior importância após o relatório pessimista da semana passada sobre as folhas de pagamento não agrícolas.

2. Sentimento do consumidor dos EUA da Universidade de Michigan

A divulgação do índice preliminar sobre o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan prevista para às 14h GMT, ou 10h, na sexta-feira deve cair para 94,0, de 94,7 em maio.

Os participantes do mercado estão prestando atenção aos números da confiança do consumidor nos últimos meses para avaliar a saúde da economia.

3. Dados de comércio da China

A China deve divulgar dados sobre o comércio para maio às 03h GMT na quarta-feira, ou às 23h ET, na terça-feira. O relatório deve mostrar que o superávit comercial do país ampliou para US$ 58,0 bilhões no mês passado de US$ 45,6 bilhões em abril.

As exportações chinesas em maio fevereiro devem cair 3,6% em comparação com o ano anterior, após uma queda de 1,8% há um mês, ao passo que as importações devem cair 6,0 %, após terem caído 10,9% em abril.

Na quinta-feira, a China deve publicar relatórios sobre a inflação de preços ao consumidore produtor para maio. Os dados devem mostrar que os preços ao consumidor subiram 2,3% no mês passado, ao passo que os preços ao produtor devem cair 3,3%.

4. Decisão de taxa do Banco Central da Austrália

A mais recente decisão da taxa de juros do Banco Central da Austrália (RBA) deve ser divulgada na terça-feira 4h30min. GMT, ou 00h30min. ET. A maioria dos economistas não espera nenhuma mudança de política, após o banco central ter supreendido com um corte de 25 pontos-base na sua última reunião, para uma baixa histórica de 1,75%, em um esforço para impulsionar a inflação e estimular a atividade econômica.

5. Atualização de política monetária do Banco Central da Nova Zelândia

O Banco Central da Nova Zelândia deve fazer a atualização da política monetária às 21h GMT, ou 17h ET, na quarta-feira. Os especialistas do mercado estão divididos sobre se o banco RBNZ fará movimentos sobre as taxas, com alguns prevendo um corte de 25 pontos base, para uma baixa recorde de baixa de 2,0%, ao passo que outros não esperam nenhuma mudança.

Fique atualizado sobre todos os eventos econômicos desta semana, visitando:http://br.investing.com/economic-calendar/

Fique por dentro das 5 principais notícias desta semana
 

O funcionalismo público, a drenagem dos cérebros, e os efeitos deletérios sobre a iniciativa privada

N. do E.: um dos principais motivos da queda do governo Dilma foi a desorganização das contas do governo.  As consequências do descalabro fiscal foram recessão, inflação alta, desemprego e desindustrialização.O atual governo havia prometido um maior compromisso com o equilíbrio orçamentário. A nomeação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda seria uma indicação de maior rigidez nessa área.

Duas semanas depois, o que se vê é apenas uma continuação do governo Dilma, com lamentáveis recaídas ao populismo.

Os reajustes salariais dos funcionários públicos, aprovados ontem pela Câmara dos Deputados, foram um tapa na cara dos mais de 11 milhões de desempregados que, além de não terem salários, terão de pagar ainda mais impostos para bancar os marajás.  Após um aumento explosivo no número de falências, os empreendedores que ainda conseguem se manter no mercado, mas que mal estão conseguindo pagar suas contas, ainda serão obrigados a bancar essa humilhação.

A farra com o dinheiro público permitida pelo atual governo é coisa para Lula nenhum botar defeito.  A brincadeira custará R$ 58 bilhões nos próximos quatro anos.

Se estivessem realmente comprometidos com equilíbrio fiscal, Temer e Meirelles teriam de ser os primeiros a gritar contra essa aberração.  No entanto, ambos deram consentimento ao descalabro.  E voltam a falar em CPMF, com cada vez mais frequência.

Ao mesmo tempo em que fazem esbórnia com o dinheiro que tomam de impostos, políticos e burocratas insistem em dizer que o grande problema do Brasil são os aposentados da iniciativa privada, que ganham R$ 880 por mês.

Eis a democracia em ação: o governo — qualquer governo — sempre está interessado apenas em obter o apoio de poderosos grupos interesse, e faz isso adotando medidas populistas que sempre geram tragédias no futuro.

O artigo a seguir ilustra as consequências que os privilégios dados ao setor público geram na mentalidade do país.

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Vejam esta lista. Nela encontram-se divididos os vencedores dos prêmios Nobel por país.  Os Estados Unidos lideram com 355.  O Reino Unido tem 120.  A Alemanha, 105.  A França, 67.

Chile, Colômbia, Peru, Guatemala, México e até mesmo Venezuela também têm ganhadores.

Nossos vizinhos argentinos já somaram cinco.

Até a Islândia, com uma população menor do que Piracicaba, já arrematou um Nobel.

Já o Brasil não tem nenhum.  Zero.  Conjunto vazio.

As razões para a irrelevância brasileira nas ciências são muitas e de difícil medição, mas há uma tendência que nos mantém em ponto morto: o fato de que “os empregos estatais transformaram-se em objeto de cobiça dos melhores cérebros do País”.

A frase não é minha.  Aparece em uma reportagem ainda de 2010 da revista Isto É, que comemora o fato de muitos dos brasileiros mais capazes intelectualmente não estarem na academia nem liderando o empreendedorismo, mas dentro de uma repartição pública.

A drenagem dos cérebros pela máquina pública só tende a piorar. De acordo com a revista:

Ao todo, entre abertas, temporárias e programadas, são quase 400 mil vagas de emprego no serviço público, com salários iniciais variando entre o mínimo e os desejados R$ 20,9 mil oferecidos a juízes substitutos dos Tribunais Regionais do Trabalho. “Hoje em dia, em média, um servidor público federal ganha o dobro dos seus congêneres na iniciativa privada”, diz o professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo, José Pastore, deixando claro por que os concursos públicos têm atraído tantos candidatos. “Nos últimos oito anos os salários públicos da União tiveram um aumento real de 75%, enquanto os do setor privado, de apenas 9%.”

Isso foi em 2010.  De lá para cá, tudo piorou.

Esta matéria da Revista Exame, de setembro de 2015, sintetiza a situação:

Salários gordos e cargos vitalícios, o doce serviço público

[…] como o desemprego está aumentando e o Brasil está caminhando para a pior queda desde a Grande Depressão […] conseguir um emprego público é como ganhar na loteria.

Ele vem com um salário desproporcional, estabilidade vitalícia e benefícios que podem incluir motoristas e voos gratuitos.

“O setor público oferece estabilidade: você passa no concurso e tem um emprego para o resto da vida”, disse Guilherme Alves, 21, que estava estudando o entorpecedor juridiquês em Brasília em um das centenas de cursinhos dedicados a preparar alunos para passar em um concurso estatal. “É ótimo”.

O salário médio dos secretários no governo central do Brasil é 49% maior, em relação ao PIB per capita, que o do México e quase o dobro que o dos países que pertencem à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.

O funcionário típico do governo brasileiro ganhou 42% a mais no ano passado do que o trabalhador comum. […]

Isso exacerbou fortes distorções na economia: os brasileiros pagam impostos surpreendentemente altos para financiar um setor estatal inchado que oferece serviços públicos deficitários. O setor privado também ficou sufocado.

“Nós não conseguimos pagar o aparato estatal que construímos”, disse Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas, que supervisiona os gastos do governo. […]

Por enquanto, juízes e parlamentares podem chegar a ganhar 30 vezes o salário médio do setor privado, além de regalias. […]

No ano passado, o governo federal gastou 20,6 % do PIB em salários, benefícios e despesas administrativas, restando apenas 1 % para investimentos, de acordo com a Associação Contas Abertas. […]

Tudo isso distorceu fortemente as condições do setor privado, de acordo com José Pastore, ex-professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo e ex-membro do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho.

Seguindo a furada Cartilha do Politicamente Correto, a imprensa chama funcionário público de servidor. Eu vou chamar de funcionário, por desobediência.

E por causa da imprecisão do termo.  Afinal, todos nós somos servidores públicos.  O engenheiro que passa da iniciativa privada para o cargo público não se transmuta num ser altruísta.  Ele continua priorizando sua carreira, seu “polpudo salário” e sua estabilidade.  O rapaz que vende coco na praia está servindo ao público, os pedreiros que construíram os prédios da sua cidade estavam servindo ao público, os engenheiros que conceberam a tela em que você está lendo este artigo estavam servindo ao público.

Só porque o sujeito extrai sua renda do imposto que você paga, e não do produto que você compra, isso não significa que ele serve mais ao público do que seu semelhante da iniciativa privada.

Na verdade, são exatamente os funcionários públicos, os burocratas, que menos servem ao público.   Como não produzem, mas sobrevivem dos tributos, eles precisam extrair a sua renda do setor produtivo da sociedade.   Ao passar do setor produtivo para o estatal, o profissional competente está passando do numerador para o denominador da economia: extraindo mais recursos do que criando.

O burocratismo ainda tem outros problemas menos aparentes.  O empregado do governo também é um eleitor do governo: participa do processo político que lhe favorece.  Quando ele olha para o orçamento, o que você acha que ele prioriza: a responsabilidade fiscal ou o aumento de seu salário? Quando vai às urnas, qual a sua mentalidade?  A consciência do bem comum ou a garantia de estabilidade?  O jogo aqui é de soma zero.

O que o burocrata toma da sociedade é em geral transferência de recursos.  E para fortalecer a defesa de seus interesses profissionais, os funcionários públicos se fundem em grupos de interesse.  A sociedade como um todo sai perdendo, mas a categoria profissional consegue tornar ainda mais atraente a matrícula em seu grupo de interesse. Isso atrai mais candidatos, criando mais demanda por concursos e, por conseguinte, políticos dispostos a suprir essa demanda.

No início do Século XIX, Charles Dunoyer percebeu esse ciclo na França pós-revolucionária. Em L’Industrie et la morale [A indústria e a moral], Dunoyer aponta para a burocracia como a substituta da aristocracia derrubada.  A “paixão pelos cargos” levara à criação de uma classe de pessoas cujo principal interesse era a expansão da oferta dos empregos públicos.  E não eram apenas os empregos que se multiplicavam, notava Dunoyer, mas também o poder da administração estatal, que precisava se inflar para acomodar a crescente demanda.

No século seguinte, o economista Ludwig von Mises observou como que a ruína das repúblicas européias no início do século XX estava associada ao inchaço do funcionalismo público.  A razão é compreensível: se os membros do congresso não mais se consideram mandatários dos pagadores de impostos, mas procuradores daqueles que recebem salários, pagamentos, subsídios, auxílios e outros benefícios do tesouro, a democracia se torna insustentável.

[N. do E.: o Banco Mundial criou um indicador próprio que calcula a carga tributária total que incide sobre as empresas de cada país.  Esse indicador mensura o total de impostos diretos e de contribuições obrigatórias pago pelas empresas de cada país — após as deduções e isenções permitidas — em relação ao seu lucro.  O indicador desconsidera imposto de renda de pessoa física e impostos indiretos (como ICMS, IPI, II etc.).

O Brasil é nada menos que o 11º colocado.  Só está melhor que Comores, Argentina, Eritréia, Bolívia, Tajiquistão, Palau, Mauritânia, Argélia e República Centro-Africana.  Está praticamente empatado com a Colômbia, embora esta venha em forte trajetória da queda da carga tributária.

No Brasil, as empresas pagam 69,2% de impostos em relação aos seus lucros.  A social-democrata Dinamarca, por exemplo, cobra apenas 24,5%.

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Isso acentua ainda mais as injustiças.  Dado que é justamente o setor privado quem tem de sustentar a farra do setor público, é impossível haver bons salários na iniciativa privada.  Toda essa carga tributária sobre as empresas, que coloca o Brasil na 11º posição mundial e que impede aumentos salariais na iniciativa privada, existe justamente para sustentar o setor público e seus salários magnânimos, pagos pelos trabalhadores da iniciativa privada.  E estes ganham pouco justamente porque têm de bancar os membros do setor público.

Com uma carga tributária escorchante como essa, como exigir que as empresas contratem mais e paguem melhor?

A esquerda, que se diz “defensora dos trabalhadores”, faz um silêncio ensurdecedor.]

Conclusão

O burocratismo e os privilégios à casta de funcionários públicos são, portanto, uma doença sociopolítica que pode levar à falência das próprias instituições de um país. Enquanto isso não acontece, é a falência da produção intelectual que continua vitimando alguns de nossos melhores cérebros.

Pedir às pessoas para mudar seu comportamento, e não seguir a carreira do funcionalismo, é ilusão.  Enquanto essa estrutura de incentivos não for alterada, o Brasil continuará vítima da elefantíase burocrática.  E os trabalhadores da iniciativa privada — que é quem emprega os mais pobres — continuarão com os salários achatados.  Isso se tiverem emprego.

 

Diogo Costa é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog:http://www.capitalismoparaospobres.com

Primeiro trimestre de 2016: o desastre continua

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.

Meirelles: “A vida é feita de previsibilidade ou horizonte de planejamento”

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse hoje (30) que o governo tem de criar condições macroeconômicas para que todos possam trabalhar, produzir e investir para que o país volte a crescer. As primeiras medidas tomadas pelo governo Michel Temer vão nessa direção, destacou o ministro na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele adiantou que outras medidas podem ser adotadas para aumentar a arrecadação e citou a venda de ativos, as concessões e privatizações.

Segundo o ministro, há muito trabalho a fazer, e a finalidade do governo é promover o crescimento econômico do país. De acordo com Meirelles, isso significa criar emprego, aumentar a renda e a produção das empresas e, principalmente, o número de empregos e a renda média da população brasileira. “Isso é o que deve nortear o trabalho de todos.”

Ele ressaltou que as primeiras medidas visam à correção do crescimento das despesas e da dívida pública. Meirelles disse que, de 1997 a 2015, o crescimento anual médio da despesa pública atingiu quase 6% ao ano acima da inflação, enquanto o gasto do governo federal subiu de 14% para 19% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país. “A sociedade brasileira não tem como sustentar uma trajetória de gasto nessa direção”, destacou o ministro, lembrando que o endividamento foi uma consequência.

O ministro enfatizou que a economia entrou em uma espiral negativa, com aumento do desemprego, e que isso precisava ser enfrentado de forma imediata, inicialmente com a exposição da realidade à sociedade, o que ocorreu com a divulgação do “número realista do déficit primário”, de R$ 170 bilhões, superior ao que fora informado anteriormente (R$ 96 bilhões).

O segundo passo é discutir com a sociedade, representada pelo Congresso Nacional, as medidas necessárias para ajustar esse processo, fazer a economia voltar a crescer e aumentar a confiança no país. “A vida é feita de previsibilidade ou horizonte de planejamento”, disse Meirelles. Para ele, isso é importante não só para as famílias, mas para as empresas e o governo. “Quanto mais longo o horizonte de planejamento, melhor para a economia.”

Edição: Nádia Franco

Ministro da Agricultura viaja à China

Ministro viaja hoje à China para encontro do G20 e reuniões para abertura de mercado de produtos como grãos e carnes.

O ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) embarca na noite desta segunda-feira (30) para a China, onde vai participar da reunião de ministros de Agricultura do G20. O encontro, na cidade de Xian, vai tratar de segurança alimentar, nutrição,  desenvolvimento rural e inovação em relação à Agenda Sustentável para 2030, incluindo a erradicação da fome e da extrema pobreza.

Os principais interlocutores da agricultura mundial estarão no encontro para lançar as bases da agricultura do futuro, discutindo plataformas de troca de informações e mecanismos ágeis para a segurança alimentar. O G20 é formado pelo Brasil, África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia. Os países membros respondem por 60% da população mundial e 70% da população rural global.

Paralelamente à reunião do G20, Blairo Maggi vai se reunir os ministros da Agricultura da Argentina, China, Coreia do Sul, México, Rússia e União Europeia. Na pauta bilateral, o comércio de carnes, grãos, lácteos e frutas entre os países, além de acordos com o Mercosul e a União Europeia.

Esta será a primeira visita oficial do ministro ao exterior. Além de Blairo Maggi, a delegação brasileira é formada pelo secretário substituto de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Luiz Ribeiro e Silva, o secretário de Defesa Agropecuária, Luis Rangel, o chefe de gabinete do ministro, Coaraci Castilho, e o senador José Aparecido dos Santos (PR-MT).

Fonte: Mapa

Banco Central eleva para US$ 50 bilhões estimativa de superávit da balança comercial em 2016

Banco Central eleva para US$ 50 bilhões estimativa de superávit da balança comercial em 2016Brasília –  A balança comercial brasileira deverá fechar o ano de 2016 com um superávit de US$ 50 bilhões, segundo dados do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). Na semana passada, a estimativa do BC para a balança comercial apontava um saldo de US$ 49,57 bilhões.

Pela primeira vez a previsão do Banco Central coincidiu com estimativas feitas há cerca de dois meses por especialistas em comércio exterior e pelo à época ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. Para o ano de 2017, o BC também aposta em um saldo de US$ 50 bilhões para a balança comercial brasileira.

A projeção de instituições financeiras para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano, foi ajustada de 7,04% para 7,06%. Em relação a 2017, a estimativa se mantém em 5,50% há duas semanas. As projeções fazem parte de pesquisa feita todas as semanas pelo Banco Central (BC) a instituições financeiras.

As estimativas estão acima do centro da meta de inflação, de 4,5%. O limite superior da meta de inflação é 6,5%, este ano e 6%, para 2017. É função do Banco Central fazer com que a inflação fique dentro da meta. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic.

Quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.

O BC tem que encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa básica de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A mediana (quando são desconsiderados os extremos nas projeções) das expectativas das instituições financeiras para a Selic passou de 12,75% para 12,88% ao ano, ao final de 2016, e de 11,38% para 11,25% ao ano, no fim de 2017. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.

A estimativa de instituições financeiras para o encolhimento da economia, este ano, foi levemente ajustada. A projeção para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi alterada de 3,83% para 3,81%. Em relação a 2017, a estimativa de crescimento passou de 0,50% para 0,55%.

A projeção para a cotação do dólar ao final de 2016 caiu de R$ 3,67 para R$ 3,65. A estimativa, para o fim de 2017, passou de R$ 3,88 para R$ 3,85.

Fonte: Comex

Boletim Focus melhora (um pouco) projeção sobre PIB brasileiro em 2016

De acordo com a projeção das instituições financeiras que colaboram com Banco Central (BC) para elaboração do Boletim Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro retrairá 3,83% em 2016 – projeção 0,05% melhor que a divulgada no relatório da semana anterior (-3,88%).

Há quase três meses, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que a economia brasileira encolheu 3,8% em 2015 na comparação com 2014. Essa foi a maior queda desde que a atual pesquisa do IBGE começou a ser feita, em 1996. Se forem considerados os dados anteriores do PIB, que começam em 1948, é o pior resultado em 25 anos, desde 1990 (-4,3%), quando Fernando Collor de Mello assumiu o governo e decretou o confisco da poupança.

Esta também foi a sétima vez que o Brasil registrou um PIB negativo desde 1948: 1981 (-4,3%), 1983 (-2,9%), 1988 (-0,1%), 1990 (-4,3%), 1992 (-0,5%), 2009 (-0,1%) e, agora, 2015 (-3,8%).

Contudo, para o PIB de 2017, o mercado financeiro manteve a previsão de crescimento divulgada nas últimas duas semanas: de 0,50%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Divulgado na segunda sexta-feira de maio, a prévia do PIB (IBC-Br) indicou uma contração de 0,36% da economia em março de 2016.

Produção Industrial

Um dos principais componentes para o cálculo do PIB, a Produção Industrial, também apresenta projeção de forte contração para 2016: queda de 6,00%, de acordo com os especialistas consultados pelo BC para elaboração do Boletim Focus desta semana. Essa projeção foi bem pior pior que aquela divulgada na semana passada, quando as instituições financeiras também estimavam uma queda de 5,85% na produção da indústria brasileira este ano.

Para 2017, a previsão dos analistas consultados pelo BC sobre a Produção Industrial ainda é positiva: expansão de 0,90% – valor 0,16% superior àquele previsto na semana anterior (0,74%) pelos analistas financeiros que colaboram com a elaboração do Boletim Focus.

Balança Comercial

A Balança Comercial, outro componente utilizado para o cálculo do PIB, deve fechar 2016 com superávit estimado em US$ 49,57 bilhões – valor US$ 1,57 bilhão superior em comparação ao projetado na semana passada (US$ 48,00 bilhões).

Para 2017, a expectativa dos analistas é de que a Balança Comercial também encerre o ano com saldo positivo: US$ 50,00 bilhões, valor idêntico ao estimado nos sete últimos relatórios.

Investimento Estrangeiro

Já com relação ao Investimento Estrangeiro Direto, o Boletim Focus prevê um aporte de US$ 59,28 bilhões em 2016, valor US$ 780 milhões superior ao previsto na semana anterior (US$ 58,50 bilhões).

Com relação a 2017, o Boletim Focus aponta que o Investimento Estrangeiro Direto será de US$ 60,00 bilhões – valor idêntico ao estimado nas quatro últimas semanas.

Boletim Focus

O Boletim Focus é um relatório divulgado semanalmente pelo BC. Esse relatório contem uma série de projeções sobre a economia brasileira coletadas junto a alguns dos principais economistas em atuação no país. Cerca de 100 (cem) analistas de mercado, representando as principais instituições financeiras do Brasil, opinam sobre a perspectiva futura de diversos indicadores de nossa economia. O relatório é confeccionado de segunda-feira a domingo, sendo divulgado sempre às segundas-feiras da semana seguinte à sua confecção.

Clique aqui e confira a íntegra do Boletim Focus divulgado no dia 23 de Maio de 2016.

Por JL Torres.