Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupa

Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupaPor José Roberto Gomes SÃO PAULO (Reuters) – O Grupo USJ, um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro, impulsionará a fabricação de etanol de milho na safra 2018/19, conforme sua usina flex em Quirinópolis (GO) se aproxima da capacidade máxima de fabricação do biocombustível, disse à Reuters a presidente da companhia. Localizada a cerca de 300 quilômetros de Goiânia, a Usina São Francisco integra uma joint venture da empresa com a norte-americana Cargill (CARG.UL), a chamada SJC Bioenergia. A unidade está em uma região estratégica, com oferta abundante de milho, e por isso recebeu investimentos de mais de 150 milhões de reais para fabricar álcool também com o cereal, não apenas com cana. A produção começou em 2016 e deve se aproximar da capacidade máxima na atual temporada, iniciada neste mês, afirmou Maria Carolina Ometto Fontanari, à frente do Grupo USJ desde 2013, em substituição a Hermínio Ometto Neto. “Vamos aumentar a produção graças ao ‘ramp-up’ previsto. Passaremos para 100 por cento (da capacidade) agora”, afirmou a executiva no intervalo de evento da consultoria INTL FCStone, na noite de quinta-feira. Conforme ela, o processamento de milho para fabricação de etanol irá a 300 mil toneladas no ciclo vigente, ante 255 mil na temporada passada. Com isso, a expectativa é de que a produção do biocombustível de milho cresça para 120 milhões de litros. Tal volume, porém, só deverá aparecer com força entre dezembro e março, quando se encerra a moagem de cana e a usina passa a rodar com milho. “Cerca de 65 por cento de todo o etanol da usina é produzido na entressafra de cana”, disse Maria Carolina. Em 2017/18, a unidade produziu um total de cerca de 150 milhões de litros de etanol, sendo 102 milhões de litros produzidos a partir do milho. Em operação desde 2007, a São Francisco representou um importante movimento de expansão do Grupo USJ. A companhia está há mais de sete décadas no Estado de São Paulo, com a Usina São João, em Araras. No início dos anos 2000, a empresa iniciou planos para construir outras unidades em Goiás, dado o boom do setor sucroenergético nacional. Além da São Francisco, o Grupo USJ conta também com a Cachoeira Dourada, no município goiano de mesmo nome, concluída em 2014. Ambas integram a joint venture com a Cargill, criada em 2011. No total, o Grupo USJ soma capacidade de moagem de cana superior a 10 milhões de toneladas por safra. Conforme Maria Carolina, o mix de produção na atual temporada será mais voltado ao etanol, mas ela não precisou um número para toda a empresa. ALERTA Embora dentro do previsto, o cronograma de aumento de produção de etanol de milho do Grupo USJ acende um sinal de alerta, ao menos no curto prazo, em razão de um fator que a empresa é incapaz de controlar: o preço do cereal. “Quando montamos esse projeto, tínhamos uma faixa de preço para a saca entre 22 e 27 reais, mas hoje está entre 25 e 30 reais”, comentou a presidente da companhia, referindo-se aos valores praticados na região da usina. Com efeito, as cotações domésticas do milho vêm avançando neste ano em virtude da restrição vendedora, com produtores à espera de preços mais altos, e também da própria perspectiva de uma oferta menor. Pela projeção mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país tende a colher 88,6 milhões de toneladas de milho neste ano, contra quase 100 milhões no anterior. Nesse contexto, as cotações do grão já avançaram em torno de 18 por cento, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. “Precisamos de preços mais rentáveis para o milho”, comentou Maria Carolina.

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Um comentário sobre “Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupa

  1. Pessoal, vou comentar determinadas noticias aqui no meu próprio site a partir de agora. Como podemos ver acima, mesmo com o aumento brutal do preço da gasolina, o projeto público privado de fabricação de etanol a partir do milho está fazendo água. E em minha opinião não podia ser diferente, é uma canoa furada. Enquanto não acabar o monopólio da comercialização, que é controlada pelo governo através da Petrobrás o produtor não terá vantagem nenhuma nisso, pelo contrário terá prejuízos pois essa será mais uma conta que irá parar no tesouro nacional e o povo brasileiro é quem terá que pagar. Assim fica fácil ser empresário, ou melhor… lobista.

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