Arquivo mensal: abril 2018

ENTREVISTA-Soja do Paraguai flui para China independentemente de política

Por Hugh Bronstein e Daniela Desantis ASSUNÇÃO (Reuters) – A soja do Paraguai está fluindo para a maior compradora do mundo, a China, apesar de os dois países não terem relações diplomáticas nem planos para estabelecê-las, segundo o ministro da Indústria, Gustavo Leite. O Paraguai é o quarto maior exportador de soja do mundo e tem uma relação próxima com Taiwan, com quem Leite disse recentemente ter selado um acordo comercial potencialmente no valor de 2 bilhões de dólares por ano. As relações diplomáticas do Paraguai com Taiwan impedem o mesmo relacionamento com a China, o maior importador mundial de soja. Mas isso não incomoda o Paraguai, disse Leite à Reuters nesta quinta-feira. “O Paraguai vende soja para a China, só que não está registrada como exportação paraguaia para a China porque passa pela Argentina ou, principalmente, pelo Uruguai”, disse ele em entrevista. “Então, a China registra esses grãos como exportações uruguaias.” A China comprou 12 bilhões de dólares em soja dos EUA no ano passado, o que tornou a commodity a exportação agrícola mais valiosa dos EUA para a China. Mas Pequim ameaçou uma tarifa sobre a soja dos EUA, enquanto as tensões comerciais com Washington aumentam. A proposta da China para uma tarifa de 25 por cento, parte de sua resposta aos planos norte-americanos de impor tarifas a uma série de produtos chineses, já elevou os preços em fornecedores alternativos, incluindo o Brasil e a Argentina. A Cofco, gigante chinesa do comércio de grãos, ganhou acesso ao mercado paraguaio de grãos quando comprou a unidade agrícola da Noble em 2015. Leite disse que a Cofco herdou contratos da Noble para exportar cerca de 10 por cento da soja do Paraguai quando comprou a unidade. “A Noble é de propriedade do Estado chinês. Então, os chineses já estão realmente aqui”, disse ele. O Paraguai, cercado por terra, usa barcaças para transportar soja para os portos fluviais argentinos e uruguaios e, a partir daí, os grãos entram no mercado global. Agricultores paraguaios colherão cerca de 10 milhões de toneladas de soja na atual temporada 2017/18. As exportações totais no último ano-safra foram de 6,13 milhões de toneladas. Não está claro quanto disso foi enviado para a China. (Reportagem adicional de Karl Plume, em Chicago).

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UE proíbe importação de 20 frigoríficos brasileiros

© Reuters. Peça de carne com etiqueta em que se lê (Reuters) – Os Estados-membros da União Europeia decidiram, por unanimidade, nesta quinta-feira proibir as importações de produtos de carne, principalmente aves, de 20 estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar para o bloco europeu, disse a Comissão Europeia em comunicado. A medida foi adotada em razão de “deficiências detectadas no sistema de controle brasileiro oficial”, disse a Comissão. A decisão entra em vigor 15 dias após sua publicação no diário oficial da União Europeia. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, a ação europeia atinge 12 fábricas da BRF (SA:BRFS3), dona das marcas Sadia e Perdigão. Procurada, a BRF não se manifestou sobre o assunto. A empresa encerrou 2017 com prejuízo líquido de cerca de 1 bilhão de reais e enfrenta na próxima semana assembleia de acionistas que deve ser marcada pela troca do conselho de administração, hoje presidido pelo empresário Abilio Diniz. Na véspera, o presidente da Petrobras (SA:PETR4), Pedro Parente, afirmou que aceitou o convite de Diniz para ser indicado à presidência do conselho da BRF. O vice-presidente de Mercados da ABPA, Ricardo Santin, disse à Reuters nesta quinta-feira que um total de nove empresas foram afetadas pelo descredenciamento da UE. De acordo com fonte com conhecimento do assunto, a decisão não afeta unidades da JBS (SA:JBSS3), nem da Seara, marca controlada pela processadora de carne. As ações da BRF subiam 2,9 por cento às 13:39, perdendo fôlego ante o pico de 10 por cento alcançado mais cedo, antes do anúncio da UE. Já os papéis da JBS tinham oscilação positiva de 0,1 por cento. Marfrig (SA:MRFG3) exibia queda de 1,7 por cento e a Minerva (SA:BEEF3) avançava 0,5 por cento. No mesmo horário, o Ibovespa tinha queda de 0,1 por cento. (Por Samantha Koester, em Bruxelas, e Ana Mano, em São Paulo)

Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupa

Grupo USJ impulsiona etanol de milho em 2018/19, mas preço do cereal preocupaPor José Roberto Gomes SÃO PAULO (Reuters) – O Grupo USJ, um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro, impulsionará a fabricação de etanol de milho na safra 2018/19, conforme sua usina flex em Quirinópolis (GO) se aproxima da capacidade máxima de fabricação do biocombustível, disse à Reuters a presidente da companhia. Localizada a cerca de 300 quilômetros de Goiânia, a Usina São Francisco integra uma joint venture da empresa com a norte-americana Cargill (CARG.UL), a chamada SJC Bioenergia. A unidade está em uma região estratégica, com oferta abundante de milho, e por isso recebeu investimentos de mais de 150 milhões de reais para fabricar álcool também com o cereal, não apenas com cana. A produção começou em 2016 e deve se aproximar da capacidade máxima na atual temporada, iniciada neste mês, afirmou Maria Carolina Ometto Fontanari, à frente do Grupo USJ desde 2013, em substituição a Hermínio Ometto Neto. “Vamos aumentar a produção graças ao ‘ramp-up’ previsto. Passaremos para 100 por cento (da capacidade) agora”, afirmou a executiva no intervalo de evento da consultoria INTL FCStone, na noite de quinta-feira. Conforme ela, o processamento de milho para fabricação de etanol irá a 300 mil toneladas no ciclo vigente, ante 255 mil na temporada passada. Com isso, a expectativa é de que a produção do biocombustível de milho cresça para 120 milhões de litros. Tal volume, porém, só deverá aparecer com força entre dezembro e março, quando se encerra a moagem de cana e a usina passa a rodar com milho. “Cerca de 65 por cento de todo o etanol da usina é produzido na entressafra de cana”, disse Maria Carolina. Em 2017/18, a unidade produziu um total de cerca de 150 milhões de litros de etanol, sendo 102 milhões de litros produzidos a partir do milho. Em operação desde 2007, a São Francisco representou um importante movimento de expansão do Grupo USJ. A companhia está há mais de sete décadas no Estado de São Paulo, com a Usina São João, em Araras. No início dos anos 2000, a empresa iniciou planos para construir outras unidades em Goiás, dado o boom do setor sucroenergético nacional. Além da São Francisco, o Grupo USJ conta também com a Cachoeira Dourada, no município goiano de mesmo nome, concluída em 2014. Ambas integram a joint venture com a Cargill, criada em 2011. No total, o Grupo USJ soma capacidade de moagem de cana superior a 10 milhões de toneladas por safra. Conforme Maria Carolina, o mix de produção na atual temporada será mais voltado ao etanol, mas ela não precisou um número para toda a empresa. ALERTA Embora dentro do previsto, o cronograma de aumento de produção de etanol de milho do Grupo USJ acende um sinal de alerta, ao menos no curto prazo, em razão de um fator que a empresa é incapaz de controlar: o preço do cereal. “Quando montamos esse projeto, tínhamos uma faixa de preço para a saca entre 22 e 27 reais, mas hoje está entre 25 e 30 reais”, comentou a presidente da companhia, referindo-se aos valores praticados na região da usina. Com efeito, as cotações domésticas do milho vêm avançando neste ano em virtude da restrição vendedora, com produtores à espera de preços mais altos, e também da própria perspectiva de uma oferta menor. Pela projeção mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país tende a colher 88,6 milhões de toneladas de milho neste ano, contra quase 100 milhões no anterior. Nesse contexto, as cotações do grão já avançaram em torno de 18 por cento, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. “Precisamos de preços mais rentáveis para o milho”, comentou Maria Carolina.

Análise da conjuntura soja na primeira semana de abril – Conab

MERCADO INTERNO.
Os preços nacionais ainda estão encontrando sustentação nos seguintes fatores: preços internacionais em alta (quebra de safra na Argentina), prêmio de porto, o dólar acima de R$ 3,30.
Segundo a Secretaria de Comercio Exterior (Secex), o Brasil exportou em 2017 o valor total de 68,15 milhões de toneladas de grãos, totalizando 25,71 bilhões de dólares. Nos três primeiros meses de 2018 o Brasil exportou aproximadamente 13, 24 milhões de toneladas, com um valor total de 5,12 bilhões de toneladas. No mesmo período do ano de 2017 foram 13,40 milhões de toneladas, com um valor de 5,30 bilhões de dólares.
Só a China foi responsável por 10,42 milhões de toneladas das exportações brasileiras, já entre os meses de janeiro e março de 2018, como dito anteriormente, foram 13,24 milhões de toneladas.
A Secex divulgou nesta semana que as exportações de soja em grãos para os cinco primeiros dias úteis do mês abril são de 2,02 milhões de toneladas, com uma quantidade média diária estimada em 404,6 mil toneladas. Como o mês de abril tem 21 dias úteis, e caso a média diária continue a mesma, as exportações deste mês devem ser de apenas 8,5 milhões de toneladas, ou seja, quase 2 milhões de toneladas menos que abril de 2017, que ficou em 10,43 milhões de toneladas.