Milho e açúcar salvam saldo da balança comercial do agronegócio

Há uma ano, quando se projetavam as expectativas para a balança comercial agropecuária deste ano, os indicadores não eram tão atraentes como estão.

Previam-se uma safra mundial de grãos maior, recuperação dos estoques mundiais e, consequentemente, uma forte queda internacional dos preços.

As duas primeiras hipóteses ocorreram, mas não se imaginava que o apetite chinês se manteria tão aguçado também neste ano.

Além das tradicionais compras de soja no Brasil, os chineses vieram buscar açúcar e carnes, o que os colocaram entre os principais importadores desses produtos do Brasil.

Os preços médios de vários produtos da balança até caíram, mas não com a intensidade prevista. Mesmo assim, o maior volume exportado compensou, em parte, a queda de divisas de vários itens.

Dois produtos, em especial, foram decisivos para que a receita da balança comercial não fosse pior neste ano: açúcar e milho.

No primeiro caso, as exportações deste ano já atingem US$ 7,37 bilhões, com evolução de 38%. As vendas externas de açúcar bruto foram os destaques, somando US$ 5,9 bilhões, 42% mais do que em igual período de 2015.

O bom desempenho do setor de açúcar se deve à aceleração dos preços internacionais. Após vários anos de oferta acima da demanda, começa a faltar açúcar.

Em apenas dois anos (em 2016 e em 2017), a demanda mundial do produto vai superar em 14 milhões de toneladas a produção.

O resultado foi que os preços dobraram na Bolsa de commodities de Nova York em um ano. Nesta segunda-feira (3), o primeiro contrato foi negociado a 22,67 centavos de dólar por libra peso.

O açúcar vai continuar sendo um fator positivo para a balança comercial nos próximos anos, uma vez que a previsão de deficit da oferta, em relação ao consumo, deve avançar até 2020.

Os bons preços devem incentivar a produção em outros mercados, mas o Brasil é o principal produtor mundial e se beneficiará dos custos menores de produção do que em outros países.

O milho, assim como o açúcar, ajuda a manter o saldo da balança do agronegócio neste ano. O fôlego para esse produto daqui para a frente, no entanto, é menor.

O Brasil aliou, nos últimos anos, avanço de produção no país, quebra de safra nos Estados Unidos e dólar favorável para as exportações. O resultado foram vendas externas recordes em 2015.

O cenário para o milho, embora ainda haja mercado externo para o produto brasileiro, já não é tão favorável. Os Estados Unidos e Argentina, dois tradicionais exportadores, terão produção recorde nesta safra 2016/17. Além, disso, o dólar já não é tão favorável como foi em bom período do ano passado.

Neste ano, as exportações de milho já somam US$ 3,2 bilhões até setembro, 44% mais do que em igual período do ano passado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A soja se mantém líder da balança comercial brasileira. Nos nove primeiros meses, as vendas externas do complexo soja (grãos, óleo e farelo) somam US$ 23,5 bilhões, 4% inferior às de 2015.

Embora menores, as receitas deste ano ficam bem acima das previsões iniciais, que indicavam um volume financeiro próximo de US$ 20 bilhões para o ano.

Outro setor de destaque das exportações brasileiras são as carnes. Considerando apenas os produtos “in natura”, a Secex aponta receitas de US$ 8,8 bilhões neste ano, um volume próximo dos US$ 9 bilhões de janeiro a setembro de 2015.

O café, o quinto produto em importância na balança do agronegócio, teve receitas de US$ 3,3 bilhões neste ano, 21% menos do que igual período do ano passado, segundo a Secex.

(Folha de S. Paulo ) (Mauro Zafalon)

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