Arquivo diário: 26 de maio de 2016

Boletim Focus melhora (um pouco) projeção sobre PIB brasileiro em 2016

De acordo com a projeção das instituições financeiras que colaboram com Banco Central (BC) para elaboração do Boletim Focus, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro retrairá 3,83% em 2016 – projeção 0,05% melhor que a divulgada no relatório da semana anterior (-3,88%).

Há quase três meses, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que a economia brasileira encolheu 3,8% em 2015 na comparação com 2014. Essa foi a maior queda desde que a atual pesquisa do IBGE começou a ser feita, em 1996. Se forem considerados os dados anteriores do PIB, que começam em 1948, é o pior resultado em 25 anos, desde 1990 (-4,3%), quando Fernando Collor de Mello assumiu o governo e decretou o confisco da poupança.

Esta também foi a sétima vez que o Brasil registrou um PIB negativo desde 1948: 1981 (-4,3%), 1983 (-2,9%), 1988 (-0,1%), 1990 (-4,3%), 1992 (-0,5%), 2009 (-0,1%) e, agora, 2015 (-3,8%).

Contudo, para o PIB de 2017, o mercado financeiro manteve a previsão de crescimento divulgada nas últimas duas semanas: de 0,50%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Divulgado na segunda sexta-feira de maio, a prévia do PIB (IBC-Br) indicou uma contração de 0,36% da economia em março de 2016.

Produção Industrial

Um dos principais componentes para o cálculo do PIB, a Produção Industrial, também apresenta projeção de forte contração para 2016: queda de 6,00%, de acordo com os especialistas consultados pelo BC para elaboração do Boletim Focus desta semana. Essa projeção foi bem pior pior que aquela divulgada na semana passada, quando as instituições financeiras também estimavam uma queda de 5,85% na produção da indústria brasileira este ano.

Para 2017, a previsão dos analistas consultados pelo BC sobre a Produção Industrial ainda é positiva: expansão de 0,90% – valor 0,16% superior àquele previsto na semana anterior (0,74%) pelos analistas financeiros que colaboram com a elaboração do Boletim Focus.

Balança Comercial

A Balança Comercial, outro componente utilizado para o cálculo do PIB, deve fechar 2016 com superávit estimado em US$ 49,57 bilhões – valor US$ 1,57 bilhão superior em comparação ao projetado na semana passada (US$ 48,00 bilhões).

Para 2017, a expectativa dos analistas é de que a Balança Comercial também encerre o ano com saldo positivo: US$ 50,00 bilhões, valor idêntico ao estimado nos sete últimos relatórios.

Investimento Estrangeiro

Já com relação ao Investimento Estrangeiro Direto, o Boletim Focus prevê um aporte de US$ 59,28 bilhões em 2016, valor US$ 780 milhões superior ao previsto na semana anterior (US$ 58,50 bilhões).

Com relação a 2017, o Boletim Focus aponta que o Investimento Estrangeiro Direto será de US$ 60,00 bilhões – valor idêntico ao estimado nas quatro últimas semanas.

Boletim Focus

O Boletim Focus é um relatório divulgado semanalmente pelo BC. Esse relatório contem uma série de projeções sobre a economia brasileira coletadas junto a alguns dos principais economistas em atuação no país. Cerca de 100 (cem) analistas de mercado, representando as principais instituições financeiras do Brasil, opinam sobre a perspectiva futura de diversos indicadores de nossa economia. O relatório é confeccionado de segunda-feira a domingo, sendo divulgado sempre às segundas-feiras da semana seguinte à sua confecção.

Clique aqui e confira a íntegra do Boletim Focus divulgado no dia 23 de Maio de 2016.

Por JL Torres.

Deral reduz estimativa de 2ª safra de milho do Paraná para 12,13 mi t

© Reuters.  Deral reduz estimativa de 2ª safra de milho do Paraná para 12,13 mi t

SÃO PAULO (Reuters) – A estimativa para produção da segunda safra de milho do Paraná na temporada 2015/16 foi reduzida para 12,13 milhões de toneladas ante 12,39 milhões de toneladas no mês anterior, informou nesta quarta-feira o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão do governo paranaense.

Já a estimativa para a safra de trigo no Estado foi projetada em 3,47 milhões de toneladas, estável ante a previsão do mês anterior.

Por Natália Scalzaretto

 

Argentina deve perder entre 4 mi t e 8 mi t de soja devido a inundações

 
© Reuters.  Argentina deve perder entre 4 mi t e 8 mi t de soja devido a inundações© Reuters. Argentina deve perder entre 4 mi t e 8 mi t de soja devido a inundações

BUENOS AIRES (Reuters) – As enchentes na Argentina reduziram a expectativa de produção de soja do país entre 4 milhões e 8 milhões de toneladas, mesmo com a produtividade maior que o esperado em áreas mais secas compensando algumas das perdas, disseram analistas agrícolas locais nesta quarta-feira.

Os contratos futuros do farelo na bolsa de Chicago subiram 51 por cento desde o início de abril, tocando sua máxima desde novembro de 2014, com preocupações sobre as enchentes da Argentina se acumulando.

A Argentina é o maior exportador global de farelo e óleo de soja.

As estimativas de safras agora variam entre 52 milhões de toneladas a 56,5 milhões de toneladas. Com a colheita desacelerada por chuvas recordes no norte do cinturão de soja, a bolsa de Buenos Aires reduziu sua estimativa de colheita para 56 milhões de toneladas, ante 60 milhões de toneladas. De qualquer maneira a produção será menos que os 60,8 milhões da temporada passada.

Produtividades maiores nas províncias de Buenos Aires e La Pampa, que não tiveram enchentes destruidoras, podem levar a bolsa a manter estável sua estimativa de 56 milhões de toneladas quando divulgar seu relatório semanal na quinta-feira.

Mas o analista Pablo Adreani, da consultoria com sede em Buenos Aires AgriPAC, disse que as perdas com as enchentes ultrapassam muito os ganhos esperados nas áreas com melhor produtividade.

“Nós perdemos 8 milhões de toneladas de produção nas enchentes”, disse Adreani. “As produtividades em Buenos Aires estão boas, mas não o suficiente para o desastre climático que tivemos nas províncias de Entre Rios, Córdoba e Santa Fé”.

Por Hugh Bronstein

Seca e mercado doméstico aquecido limitam exportação de milho do Brasil

 

Seca e mercado doméstico aquecido limitam exportação de milho do Brasil

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil deverá exportar menos milho que o esperado na atual temporada, em meio a uma quebra de safra no Centro-Oeste e à variações no câmbio e nos preços domésticos em patamares recordes, apontou uma pesquisa da Reuters.

A retração nos embarques do Brasil, o segundo maior exportador do cereal, potencialmente abre espaço no mercado global para países concorrentes, como os Estados Unidos e a Argentina.

As exportações de milho do Brasil deverão cair para 26,1 milhões de toneladas no ano comercial entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017, ante 28,9 milhões de toneladas estimadas em uma pesquisa semelhante publicada pela Reuters em novembro do ano passado. Em abril, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou a projetar embarques de 30,4 milhões de toneladas neste ano comercial.

No período entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, o Brasil embarcou um recorde de 30,17 milhões de toneladas, ajudado por uma safra recorde e bons preços internacionais.

“O Brasil exportou demais e agora está tendo problemas com a oferta. Se o Brasil tiver problemas com disponibilidade em outubro, então o Japão (maior importador mundial de milho) irá mudar para Argentina ou Ucrânia”, disse o presidente de uma trading japonesa Nobuyuki Chino, em Tóquio, acrescentando que o grão dos Estados Unidos também está mais competitivo que o brasileiro.

A pesquisa com sete consultorias também mostra como a quebra de safra da atual temporada, com a persistente seca em Estados como Goiás e Mato Grosso, torna difícil projetar os volumes que estarão disponíveis para a exportação.

No levantamento de novembro, a diferença entre a maior e a menor previsão era de 4,5 milhões de toneladas. Na atual pesquisa, a diferença é de mais de 14 milhões de toneladas.

“Existe muita incerteza ainda… Estamos em maio, tem bastante chão ainda”, disse um operador sênior de milho de uma grande multinacional, para quem os embarques na temporada deverão ficar, inclusive, abaixo de 26 milhões de toneladas.

O clima adverso em Mato Grosso e Goiás levou todas as consultorias e agentes do mercado a reduzirem drasticamente suas previsões para a segunda safra de milho de 2015/16 (ano comercial 2016/17), que está em fase inicial de colheita. Muitos produtores terão até que renegociar suas entrega, porque não terão grãos suficientes para cumprir os contratos de venda antecipada.

A chamada “safrinha” é responsável por dois terços da produção anual do Brasil e é a grande responsável por abastecer os embarques de milho, que ocorrem no segundo semestre e têm colocado o Brasil em posição de destaque no cenário global.

A consultoria Agroconsult, por exemplo, projeta que os embarques no ano calendário 2016 deverão atingir 23 milhões de toneladas, ante 28,9 milhões de toneladas em 2015.

“Os estoques foram embora, exportamos esses estoques, e por isso que está todo mundo desesperado”, disse o analista Marcos Rubin, da Agroconsult, avaliando a atual escassez de milho no mercado doméstico.

O cenário, inclusive, deve levar o Brasil a fechar maio com o segundo menor volume de exportações de milho da história.

COMPETIÇÃO

Com exportações recordes na temporada passada, sobrou pouco milho para as indústrias e granjas de aves e suínos do Brasil manterem suas operações antes da nova colheita. O setor reclama dos altos preços do cereal e, principalmente, da dificuldade em encontrar lotes disponíveis.

Essa forte necessidade das indústrias brasileiras para garantir suprimento deverá ser outro fator a pressionar as exportações.

“Os preços no interior estão acima das cotações nos portos, o que inviabiliza novos negócios, além de os portos estarem entupidos com soja… As exportações só voltarão a crescer se os preços no interior se ajustarem à paridade de exportação. Se isso não ocorrer, as exportações podem ficar abaixo dos volumes vistos no ano passado”, destacou o consultor independente Carlos Cogo.

Os embarques que estão comprometidos foram realizados há alguns meses, quando odólar chegou a ultrapassar 4 reais. No atual cenário de câmbio a 3,5 reais e altos preços do milho no mercado doméstico, o Brasil perde competitividade no mercado internacional.

O milho no mercado à vista atingiu o recorde nominal de 52,91 reais por saca (60 kg) na sexta-feira, conforme o indicador Cepea/Esalq. Convertido ao câmbio atual, o milho brasileiro é precificado, no porto, a cerca de 250 dólares por tonelada.

Segundo o analista Aedson Pereira, da Informa Economics FNP, os principais competidores do Brasil têm ofertado o grão muito mais barato. A tonelada está em 165-170 dólares na Argentina e 175-180 dólares nos Estados Unidos.

“O foco das tradings é cumprir os contratos que fixou lá atrás. Elas não têm condições de comprar milho para oferecer à exportação num mercado como esse”, disse ele.

Na avaliação da Informa, as exportações entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017 deverão alcançar 27 milhões de toneladas, ante um potencial calculado inicialmente para embarques de até 32 milhões de toneladas.

“Olhando para o futuro, a oferta do Brasil está ficando apertada, e compradores do Sudeste Asiático que realmente preferem o milho do Brasil, terão que voltar-se para o milho dos Estados Unidos”, disse um operador de Cingapura.

(Reportagem adicional de Naveen Thukral, em Cingapura)

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil deverá exportar menos milho que o esperado na atual temporada, em meio a uma quebra de safra no Centro-Oeste e à variações no câmbio e nos preços domésticos em patamares recordes, apontou uma pesquisa da Reuters.

A retração nos embarques do Brasil, o segundo maior exportador do cereal, potencialmente abre espaço no mercado global para países concorrentes, como os Estados Unidos e a Argentina.

As exportações de milho do Brasil deverão cair para 26,1 milhões de toneladas no ano comercial entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017, ante 28,9 milhões de toneladas estimadas em uma pesquisa semelhante publicada pela Reuters em novembro do ano passado. Em abril, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou a projetar embarques de 30,4 milhões de toneladas neste ano comercial.

No período entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, o Brasil embarcou um recorde de 30,17 milhões de toneladas, ajudado por uma safra recorde e bons preços internacionais.

“O Brasil exportou demais e agora está tendo problemas com a oferta. Se o Brasil tiver problemas com disponibilidade em outubro, então o Japão (maior importador mundial de milho) irá mudar para Argentina ou Ucrânia”, disse o presidente de uma trading japonesa Nobuyuki Chino, em Tóquio, acrescentando que o grão dos Estados Unidos também está mais competitivo que o brasileiro.

A pesquisa com sete consultorias também mostra como a quebra de safra da atual temporada, com a persistente seca em Estados como Goiás e Mato Grosso, torna difícil projetar os volumes que estarão disponíveis para a exportação.

No levantamento de novembro, a diferença entre a maior e a menor previsão era de 4,5 milhões de toneladas. Na atual pesquisa, a diferença é de mais de 14 milhões de toneladas.

“Existe muita incerteza ainda… Estamos em maio, tem bastante chão ainda”, disse um operador sênior de milho de uma grande multinacional, para quem os embarques na temporada deverão ficar, inclusive, abaixo de 26 milhões de toneladas.

O clima adverso em Mato Grosso e Goiás levou todas as consultorias e agentes do mercado a reduzirem drasticamente suas previsões para a segunda safra de milho de 2015/16 (ano comercial 2016/17), que está em fase inicial de colheita. Muitos produtores terão até que renegociar suas entrega, porque não terão grãos suficientes para cumprir os contratos de venda antecipada.

A chamada “safrinha” é responsável por dois terços da produção anual do Brasil e é a grande responsável por abastecer os embarques de milho, que ocorrem no segundo semestre e têm colocado o Brasil em posição de destaque no cenário global.

A consultoria Agroconsult, por exemplo, projeta que os embarques no ano calendário 2016 deverão atingir 23 milhões de toneladas, ante 28,9 milhões de toneladas em 2015.

“Os estoques foram embora, exportamos esses estoques, e por isso que está todo mundo desesperado”, disse o analista Marcos Rubin, da Agroconsult, avaliando a atual escassez de milho no mercado doméstico.

O cenário, inclusive, deve levar o Brasil a fechar maio com o segundo menor volume de exportações de milho da história.

COMPETIÇÃO

Com exportações recordes na temporada passada, sobrou pouco milho para as indústrias e granjas de aves e suínos do Brasil manterem suas operações antes da nova colheita. O setor reclama dos altos preços do cereal e, principalmente, da dificuldade em encontrar lotes disponíveis.

Essa forte necessidade das indústrias brasileiras para garantir suprimento deverá ser outro fator a pressionar as exportações.

“Os preços no interior estão acima das cotações nos portos, o que inviabiliza novos negócios, além de os portos estarem entupidos com soja… As exportações só voltarão a crescer se os preços no interior se ajustarem à paridade de exportação. Se isso não ocorrer, as exportações podem ficar abaixo dos volumes vistos no ano passado”, destacou o consultor independente Carlos Cogo.

Os embarques que estão comprometidos foram realizados há alguns meses, quando odólar chegou a ultrapassar 4 reais. No atual cenário de câmbio a 3,5 reais e altos preços do milho no mercado doméstico, o Brasil perde competitividade no mercado internacional.

O milho no mercado à vista atingiu o recorde nominal de 52,91 reais por saca (60 kg) na sexta-feira, conforme o indicador Cepea/Esalq. Convertido ao câmbio atual, o milho brasileiro é precificado, no porto, a cerca de 250 dólares por tonelada.

Segundo o analista Aedson Pereira, da Informa Economics FNP, os principais competidores do Brasil têm ofertado o grão muito mais barato. A tonelada está em 165-170 dólares na Argentina e 175-180 dólares nos Estados Unidos.

“O foco das tradings é cumprir os contratos que fixou lá atrás. Elas não têm condições de comprar milho para oferecer à exportação num mercado como esse”, disse ele.

Na avaliação da Informa, as exportações entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017 deverão alcançar 27 milhões de toneladas, ante um potencial calculado inicialmente para embarques de até 32 milhões de toneladas.

“Olhando para o futuro, a oferta do Brasil está ficando apertada, e compradores do Sudeste Asiático que realmente preferem o milho do Brasil, terão que voltar-se para o milho dos Estados Unidos”, disse um operador de Cingapura.