Arquivo mensal: agosto 2015

Longa noite – Por Olavo de Carvalho

Se há uma coisa que, quanto mais você perde, menos sente falta dela, é a inteligência. Uso a palavra não no sentido vulgar de habilidadezinhas mensuráveis, mas no de percepção da realidade. Quanto menos você percebe, menos percebe que não percebe. Quase que invariavelmente, a perda vem por isso acompanhada de um sentimento de plenitude, de segurança, quase de infalibilidade. É claro: quanto mais burro você fica, menos atina com as contradições e dificuldades, e tudo lhe parece explicável em meia dúzia de palavras. Se as palavras vêm com a chancela da intelligentzia falante, então, meu filho, nada mais no mundo pode se opor à força avassaladora dos chavões que, num estalar de dedos, respondem a todas as perguntas, dirimem todas as dúvidas e instalam, com soberana tranqüilidade, o império do consenso final. Refiro-me especialmente a expressões como “desigualdade social”, “diversidade”, “fundamentalismo”, “direitos”, “extremismo”, “intolerância”, “tortura”, “medieval”, “racismo”, “ditadura”, “crença religiosa” e similares. O leitor pode, se quiser, completar o repertório mediante breve consulta às seções de opinião da chamada “grande imprensa”. Na mais ousada das hipóteses, não passam de uns vinte ou trinta vocábulos. Existe algo, entre os céus e a terra, que esses termos não exprimam com perfeição, não expliquem nos seus mais mínimos detalhes, não transmutem em conclusões inabaláveis que só um louco ousaria contestar? Em torno deles gira a mente brasileira hoje em dia, incapaz de conceber o que quer que esteja para além do que esse exíguo vocabulário pode abranger.

Que essas certezas sejam ostentadas por pessoas que ao mesmo tempo fazem profissão-de-fé relativista e até mesmo neguem peremptoriamente a existência de verdades objetivas, eis uma prova suplementar daquilo que eu vinha dizendo: quanto menos você entende, menos entende que não entende. Ao inverso da economia, onde vigora o princípio da escassez, na esfera da inteligência rege o princípio da abundância: quanto mais falta, mais dá a impressão de que sobra. A estupidez completa, se tão sublime ideal se pudesse atingir, corresponderia assim à plena auto-satisfação universal.

A mais eloqüente indício é o fato de que, num país onde há trinta anos não se publica um romance, uma novela, uma peça de teatro que valha a pena ler, ninguém dê pela falta de uma coisa outrora tão abundante, tão rica nestas plagas, que era a – como se chamava mesmo? – “literatura”. Digo que essa entidade sumiu porque – creiam – não cesso de procurá-la. Vasculho catálogos de editoras, reviro a internet em busca de sitesliterários, leio dezenas de obras de ficção e poesias que seus autores têm o sadismo de me enviar, e no fim das contas encontrei o quê? Nada. Tudo é monstruosamente bobo, vazio, presunçoso e escrito em língua de orangotangos. No máximo aponta aqui e ali algum talento anêmico, que para vingar precisaria ainda de muita leitura, experiência da vida e uns bons tabefes.

Mas, assim como não vejo nenhuma obra de literatura imaginativa que mereça atenção, muito menos deparo, nas resenhas de jornais e nas revistas “de cultura” que não cessam de aparecer, com alguém que se dê conta do descalabro, do supremo escândalo interectual que é um país de quase duzentos milhões de habitantes, com uma universidade em cada esquina, sem nenhuma literatura superior. Ninguém se mostra assustado, ninguém reclama, ninguém diz um “ai”. Todos parecem sentir que a casa está na mais perfeita ordem, e alguns até são loucos o bastante para acreditar que o grande sinal de saúde cultural do país são eles próprios. Pois não houve até um ministro da Cultura que assegurou estar a nossa produção cultural atravessando um dos seus momentos mais brilhantes, mais criativos? Media, decerto, pelo número de shows de funk.

Estão vendo como, no reino da inteligência, a escassez é abundância?

Mas o pior não é a penúria quantitativa.

Da Independência até os anos 70 do século XX, a história social e psicológica do Brasil aparecia, translúcida, na literatura nacional. Lendo os livros de Machado de Assis, Raul Pompéia, Lima Barreto, Antônio de Alcântara Machado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Marques Rebelo, José Geraldo Vieira, Ciro dos Anjos, Octávio de Faria, Anníbal M. Machado e tantos outros, obtínhamos a imagem vívida da experiência de ser brasileiro, refletida com toda a variedade das suas manifestações regionais e epocais e com toda a complexidade das relações entre alma e História, indivíduo e sociedade.

A partir da década de 80, a literatura brasileira desaparece. A complexa e rica imagem da vida nacional que se via nas obras dos melhores escritores é então substituída por um sistema de estereótipos, vulgares e mecânicos até o desespero, infinitamente repetidos pela TV, pelo jornalismo, pelos livros didáticos e pelos discursos dos políticos.

No mesmo período, o Brasil sofreu mudanças histórico-culturais avassaladoras, que, sem o testemunho da literatura, não podem se integrar no imaginário coletivo nem muito menos tornar-se objeto de reflexão. Foram trinta anos de metamorfoses vividas em estado de sono hipnótico, talvez irrecuperáveis para sempre.

O tom de certeza definitiva com que qualquer bobagem politicamente correta se apresenta hoje como o nec plus ultra da inteligência humana jamais teria se tornado possível sem esse longo período de entorpecimento e de trevas, essa longa noite da inteligência, ao fim da qual estava perdida a simples capacidade de discernir entre o normal e o aberrante, o sensato e o absurdo, a obviedade gritante e o ilogismo impenetrável.

Bomba Atômica de Hiroshima – o que não contaram para você Por José Roitberg -7 ago 2015750

Soldado japonês em uma de suas tarefas rotineiras
Soldado japonês em uma de suas tarefas rotineiras, matar crianças chinesas com a baioneta

ATENÇÃO – FORTE CONTEÚDO GRÁFICO

A propaganda da União Soviética tem dois enormes sucessos em reescrever a história do mundo ocidental. O segundo é a transformação de Israel em um estado nazista, inimigo de todos, principalmente dos palestinos, uns 20 anos depois da União Soviética ter sido uma das mais importantes apoiadoras da Partilha da Palestina. Dizem os historiadores de esquerda que a URSS jamais apoiou Israel e o voto pela Partilha era apenas para complicar a vida da Inglaterra.

O primeiro grande sucesso criado no auge da Guerra Fria foi o de transformar os Estados Unidos, o grande inimigo capitalista dos soviéticos, no carrasco cruel dos japoneses. Através de seus aliados oficiais e dos integrantes de partidos comunistas na mídia ocidental, a história da guerra do Pacífico foi reescrita, para deixar uma marca indelével, principalmente nos alunos das escolas ocidentais de que toda a população de Hiroshima e Nagazaki, pobres e pacíficos civis japoneses, foram fulminados e queimados por duas terríveis bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos. A propaganda transformou os carrascos japoneses, gente que tinha profundo desprezo pela sua própria vida e consideração zero com a vida do inimigo, em santos homens abatidos pelo capitalismo. E a cada ano, no dia 6 de agosto vemos a mesma lenga-lenga de revisionismo histórico soviético ser repetida a um ponto que já se tornou a verdade incontestável.

Mas esta não é a verdade dos fatos.

É um erro imaginar que a entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial se dá com o ataque a Pearl Harbour, no Havaí em 7 de dezembro de 1941. O Japão era um país governado por um imperador com status de Deus, ao qual todos os cidadãos juravam fidelidade e colocavam suas vidas à disposição. O desprezo pela vida em nome do imperador e da honra japonesa era incutido nas pessoas desde a mais tenra idade, tanto nas escolas, quanto nos lares. Sendo liderados por Deus, os japoneses cresciam com a certeza de serem a raça superior no planeta e que todas as outras raças eram consideradas de segunda classe ou mesmo com animais não-humanos. Pode-se dizer que o regime japonês era uma mistura de teocracia com culto à personalidade e fascismo militar.

A Segunda Guerra Mundial no Pacífico se inicia antes da Europa, em 7 de julho de 1937 quando a China é invadida por tropas japonesas. A maioria dos historiadores dissocia (sabe-se lá porque) a Guerra Sino Japonesa do bojo da Segunda Guerra Mundial. Ela durou até o dia 9 de setembro de 1945, portanto foi encerrada longos 20 dias após a rendição japonesa. Antes disso, desde 1931, o Japão já ocupava a Manchuria. No final do ano de 1937 as tropas japonesas venceram suas duas mais importantes batalhas e ocuparam Xangai e a capital chinesa, Nanking. As forças japonesas envolvidas nestes 8 anos de guerra chegaram aos 4.100.000 homens, somando-se a eles cerca de 900.000 chineses colaboradores.

Mulheres e crianças chinesas estupradas e mortas pelos japoneses
Mulheres chinesas estupradas e mortas empilhadas junto com seus pequenos filhos mortos pelos soldados japoneses numa escadaria em Chunking

Ao ocupar Nanking, as tropas japonesas lançaram um programa para executar soldados chineses em roupas civis. O número de estupros de mulheres foi imenso, tudo foi saqueado, e as execuções sumárias chegaram a 200.000 pessoas em seis semanas desta operação.

Dia normal para os chineses moradores de Nanking (Pequim) sob ocupação japonesa
Dia normal para os chineses moradores de Nanking (Pequim) sob ocupação japonesa

A Guerra Sino Japonesa é responsável por um número gigantesco de mortes. Os japoneses perderam 480.000 soldados e outros 1.900.000 foram feridos. Já do lado chinês, 1.440.000 soldados foram mortos e outros 1.800.000 foram feridos, entre as tropas chinesas nacionalistas e 250.000 soldados chineses comunistas morreram, enquanto outros 290.467 foram feridos. O Japão não perdeu nenhum civil nesta guerra, enquanto matou 22 milhões de civis chineses. Por favor, leia novamente: vinte e dois milhões de civis chineses mortos pelas tropas japonesas!

Sorridente oficial japonês em meio às vítimas que acabou de matar. Na mão direita, sua espada. Na esquerda a cabeça de uma das vítimas.
Sorridente oficial japonês em meio às vítimas que acabou de matar. Na mão direita, sua espada. Na esquerda a cabeça de uma das vítimas.

Acostumado aos Seis Milhões de Judeus mortos no Holocausto, o leitor deve estar impressionado com este número e precisa se perguntar: por que nunca falam disto? Por que na China não se relembra isto? A explicação é simples. O comandante em chefe chinês era o nacionalista Chiang Kai-shek, que ao término da Segunda Guerra Mundial, começou a ser combatido pelo comandante chinês comunista, Mao Zedong. Quando Mao venceu e estabeleceu o comunismo na China e Chiang fugiu para (a hoje) Taiwan, o novo regime, em sua reforma cultural e expurgos considerou estas 22 milhões de pessoas mortas como um efeito desejável atribuindo a todas elas a pecha de serem nacionalistas, portanto anti-revolucionárias.

Outro ponto importante para se deixar o campo de batalha sino-japonês fora dos livros é o fato de que os Nacionalistas Chineses eram apoiados pela Alemanha Nazista e as fotos de suas tropas são especificamente inconvenientes, por mostra uma resistência contra o Japão utilizando armas e uniformes alemães. Na foto em Nanjing temos uma grande massa popular e de soldados chineses nacionalistas, assistindo a execução de um oficial japonês invasor de alta patente. O chinês com uniforme e capacete nazista, disparando uma pistola Mauser alemã, observado à esquerda por dois oficiais que parecem mais saídos de Berlim que Pequim é complicada e incomoda a qualquer um.

Imagem incômoda de soldado nacionalista chinês matando com um disparo de pistola Mauser um oficial japonês. O uso de equipamento alemão pelos nacionalistas chineses faz com que não se publique sobre este teatro de guerra.
Imagem incômoda de soldado nacionalista chinês matando com um disparo de pistola Mauser um oficial japonês. O uso de equipamento alemão pelos nacionalistas chineses faz com que não se publique sobre este teatro de guerra.

CONQUISTAS E ATROCIDADES CONTRA SUB-HUMANOS

Aos poucos os japoneses começaram a atacar todos os países asiáticos. Coreia, Indochina Francesa (Vietnã), Birmânia, Filipinas, Nova Guiné, Singapura e um grande número de ilhas. A cada conquista, novas atrocidades. Vamos enumerar apenas algumas e veja você mesmo se algo se parece com o ISIS, que também luta em nome de Deus.

Treinamento de tiro ao alvo de soldados japoneses. Ao invés de papel, prisioneiros siks em Singapura.
Treinamento de tiro ao alvo de soldados japoneses. Ao invés de papel, prisioneiros siks em Singapura.

Fevereiro de 1942, no aeroporto da ilha de Ambon, 300 prisioneiros de guerra australianos e holandeses, escolhidos aleatoriamente no campo de prisioneiros próximo foram decapitados. 90 soldados e oficiais japoneses foram julgados por este massacre depois da guerra. Apenas quatro foram condenados a morte.

Prisioneiro norte-americano prestes a ser decapitado. Note os sorrisos de outros soldados japoneses ao fundo.
Prisioneiro norte-americano prestes a ser decapitado. Note os sorrisos de outros soldados japoneses ao fundo.

Em 14 de fevereiro de 1942 um dia antes das tropas britânicas se renderem em Singapura, o hospital militar foi alcançado pelos soldados japoneses. Os 200 soldados ingleses feridos que estavam no hospital, foram levados ao pátio e mortos com baionetas. Cinco se esconderam num esgoto e sobreviveram para contar. Quando soube do incidente, o comandante japonês, o General Yamashita, prendeu e executou seus homens que participaram do massacre.

Atividade corriqueira dos Kempetai, a SS japonesa. Percorrer as vilas do interior assassinando civis com crueldade.
Atividade corriqueira dos Kempeitai, a SS japonesa. Percorrer as vilas do interior assassinando civis com crueldade.

As tropas japonesas equivalentes à SS eram os Kempeitai. Entre fevereiro e março 1942, foram os autores da Operação Sook Ching (Purificar Através da Limpeza Étnica) em Singapura. Percorram aldeias no interior do país, assassinando 100.000 civis.

Gloriosos, orgulhosos e limpinhos Kempeitai, o equivalente nipônico da SS nazista
Gloriosos, orgulhosos e limpinhos Kempeitai, o equivalente nipônico da SS nazista

Na ilha de Palau em 14 de dezembro de 1944, a guarnição japonesa imaginou que os americanos haviam desembarcado na ilha (o que não ocorreu) e mandaram seus 150 prisioneiros americanos entrarem em trincheiras. Em seguida jogaram gasolina sobre eles e os queimaram. Os que tentaram fugir das chamas foram mortos à baioneta, a tiros ou a porretadas. Cerca de 10 soldados americanos, ainda assim conseguiram fugir, se jogar no mar e nadar até outra ilha.

Em 18 de março de 1943, um destróier japonês foi enviado para transportar um grupo de 60 missionários alemães e chineses aliados de Kairuru para Rabaul. No meio da viagem o comando da marinha ordenou por rádio que todos fossem executados acusando-os de espionagem. O capitão do navio de guerra, levou os prisioneiros, um a um para a parte de trás do navio, onde foram executados com um tiro na cabeça e lançados ao mar. Duas crianças que estavam com o grupo foram jogadas vivas ao mar. A execução durou mais de 3 horas.

Em um acampamento militar japonês na China, coveiros vestindo roupas com suásticas orientais não nazistas, conduzem carroça com corpos de mulheres chinesas estupradas por soldados e depois mortas.
Em um acampamento militar japonês na China, coveiros vestindo roupas com suásticas orientais não nazistas, conduzem carroça com corpos de mulheres chinesas estupradas por soldados e depois mortas.

Em 18 de março de 1944, um navio de guerra japonês afundou o navio mercante inglês Behar no Oceano Índico. 108 tripulantes e passageiros sobreviveram. A noite, o capitão japonês dividiu o grupo. Colocou 36 deles, incluindo o capitão inglês e seus oficias em outro barco e os libertou. Os outros 72, praticamente todos civis, foram considerados ‘prisioneiros inúteis’, decapitados e tiveram seus corpos jogados ao mar. Posteriormente o capitão japonês foi enforcado por crimes de guerra.

Em 26 de março de 194 um submarino japonês afundou um navio mercante holandês na região de Sri Lanka. 103 tripulantes sobreviveram e foram massacrados com espadas e marretas. Os que não tinham morrido foram deixados sobre o casco do submarino que mergulhou com a intenção de afoga-los. Ainda assim, cinco sobreviveram.

Civis numa vala sendo mortos à baioneta por soldados japoneses enquanto outros soldados se reúnem para não perder a diversão.
Civis numa vala sendo mortos à baioneta por soldados japoneses enquanto outros soldados se reúnem para não perder a diversão.

Entre fevereiro e março de 1945, quando os americanos retomavam as Filipinas e chegaram a capital Manila, o general Yamashita ordenou a retirada das tropas, mais dois almirantes no comando local recusaram as ordens e mandaram as tropas resistirem até a morte. Os americanos apenas lançaram alguns ataques de artilharia contra posições japonesas, inicialmente e as tropas de ocupação começaram a pilhar, estuprar e matar os civis filipinos, decapitando-os, matando-os com baionetas, metralhando grupos inteiros e ateando fogo em prédios cheios de gente. No final da batalha, todos os japoneses estavam mortos e com eles 100.000 civis filipinos. Manila foi a segunda cidade mais destruída na guerra, perdendo apenas para Varsóvia.

Treinamento de tiro ao alvo de soldados japoneses. Ao invés de papel, prisioneiros siks em Singapura.
Treinamento de tiro ao alvo de soldados japoneses. Ao invés de papel, prisioneiros siks em Singapura.

Se você chegou até aqui, é provável que esteja mudando sua perspectiva sobre as pobres vítimas japonesas do satan americano. Mas tem mais. Na Birmânia principalmente, mas também em outros países da região asiática as tropas japonesas treinavam tiro ao alvo contra prisioneiros civis amarrados em tocos de madeira e documentavam isso. As fotos estão aqui na matéria. Mas apenas isto não bastava à raça superior nipônica. Treinamentos com baionetas também eram realizados contra civis das áreas ocupadas e uma das fotos OFICIAIS mais perversas da guerra é a que abre esta matéria, com um bebê filipino atravessado na baioneta de um soldado japonês.

EXPERIÊNCIAS MÉDICAS

Da mesma forma que os nazistas fizeram experimentos médicos bárbaros e terríveis contra judeus em campos de concentração o Japão estava interessado em desenvolver armas biológicas e criou a Unidade 731 na China. Suas tarefas básicas era infectar prisioneiros chineses com as mais diversas doenças para estudar sua transição, velocidade de propagação e efeitos, a também o que o corpo humano suportava de altas e baixas temperaturas. Fazia parte do estudo a dissecação das vítimas que era feita não em cadáveres mais nas vítimas vivas. Cólera, febre tifoide, disenteria e antrax foram lançadas como testes sobre cidades chinesas e as epidemias duraram até 1948. Mais de 200.000 pessoas foram mortas.

ANTES DA BOMBA

Em abril de 1944 inicia-se o ataque às Ilhas Japonesas com a invasão de Iwo Jima. Esta batalha, demonstraria em definitivo o conceito japonês não só de lutar até a morte, mas de lançar-se a morte sem objetivo militar para morrer e não ser capturado, além do simples suicídio ritual de soldados que não entraram em combate e não foram mortos pelo inimigo.

Em 38 dias de batalha por uma pequena ilha de cinzas vulcânicas, praticamente plana com uma montanha em uma de suas extremidades, os americanos desembarcaram 70.000 soldados dos quais 26.638 foram baixas, incluindo 7 mil mortos (10%) da força de ataque. Po seu lado, a defesa contava com 21.000 soldados japoneses, dos quais apenas 1%, 216 homens, foram capturados. 3.000 ficaram escondidos em cavernas e bunkers e foram aparecendo ao longo do tempo muito depois da batalha terminar e todos os outros morreram. A relação entre ataque e defesa foi de 3,3 soldados atacando para cada defensor.

Depois disso foi a vez da Ilha de Okinawa, a maior ilha mais ao sul do Japão, com terreno diversificado, florestas, montanhas população local etc. Apesar desta batalha ser mais importante para entender a lógica que levou ao emprego das armas nucleares, Ivo Jima é que é retratada pelo cinema.

Se os americanos acharam que os 38 dias de Ivo foram muito, Okinawa levou 82 dias, terminando no meio de junho de 1944 menos de dois meses antes da Bomba. Os americanos, desta vez lançaram 250.000 soldados contra ilha, dos quais 5% morreram (12.520) e outros 82.000 ficaram feridos).

A defesa japonesa foi também um teste para o Império em como defender as ilhas principais, o passo lógico seguinte na guerra. Havia 77.000 soldados regulares na ilha e 40.000 civis foram alistados e armados para a defesa. 24 mil deles compuseram uma milícia chamada Boeitai, 15.000 trabalhadores lutaram sem uniformes, 1.500 alunos de escolas, menores de idade, compuseram uma unidade de combates chamadas de “Ferro e Sangue”. Sete ataques com aviões kamikaze foram lançados contra as tropas de invasão envolvendo 1.500 aeronaves. Sem contar com estes pilotos mortos, os homens em armas no solo chegaram a 117.000, dos quais somente 6% (7.000) foram capturados. Os outros 110.000 foram mortos ou se mataram em ataques sem efeito militar ou em rituais de suicídio. Adicionalmente, 150.000 civis morreram.

Okinawa é definidor para compreender as bombas atômicas. Os americanos lançaram 2,3 soldados no ataque para cada soldado na defesa. Porcentagem praticamente 50% menor que na batalha anterior.

Os japoneses tinham 3 milhões de soldados para defender suas ilhas principais, mais o esquema de milícias de adultos e adolescentes, mais mulheres treinadas para atacar os invasores satânicos com lanças de bambu. Mantida a proporção de Okinawa, o que é uma estimativa baixa, haveria mais de 5 milhões de soldados e civis armados à espera das tropas norte-americanas. Para garantir a força de 2,3 para um, os americanos deveriam obrigatoriamente desembarcar 11,5 milhões de soldados no Japão, força que não existia, que se existisse não poderia ser nem transportada nem abastecida. Portanto, pela experiência de Okinawa, mesmo com a certeza confortável de vencer um inimigo que preferia desperdiçar suas tropas a obter ganhos reais, um ataque em tal escala era simplesmente impossível.

Ainda assim as baixas ao nível de Okinawa previstas para 37% atingiriam o número assustador de 4.255.000 americanos, dos quais, 1.100.000 seriam mortos. Totalmente inviabilizador. Pelo lado japonês as baixas esperadas seriam de 4.700.000 soldados mortos outros 7.000.000 de civis mortos.

Estes números não são exatos, mas simplesmente uma extrapolação estratégica em relação a última batalha com uma perspectiva OTIMISTA. Numa abordagem pessimista os números seriam consideravelmente maiores. Conta semelhante foi realizada tanto pelo comando americano quando pelo japonês, que sentiu-se MUITO CONFORTÁVEL com a perspectiva, que demonstrava claramente que os americanos não teriam nem homens nem equipamentos para conquistar o Japão e que este impacto de 12 milhões de vítimas japonesas nunca se realizaria, mas se fosse necessário poderia ser absorvido e ainda estava muito longe dos mais de 22 milhões de civis chineses que os nipônicos mataram.

A SUBMISSÃO PELO ATAQUE AÉREO

Tanto alemães quanto aliados tinham como estratégia de guerra a destruição das principais cidades uns dos outros imaginando que isso iria gerar um desejo nas populações civis de depor suas lideranças e terminar a guerra, rendendo-se ao inimigo. Era o pensamento vigente naquela época. Os alemães jamais construíram bombardeios capazes de realizar tal missão e apelaram para mísseis. Primeiro com as bombas voadores V1, depois com as V2. Já os britânicos e americanos desenvolveram vários modelos capazes de arrasar cidades. Esta estratégia jamais deu certo pois o atacado sempre usa o ataque contra si, como arma de propaganda para demonstrar a barbárie e o desprezo pela vida por parte do inimigo, e a população atingida fica apenas com mais vontade de resistir e levar seu país à vitória.

Com o Japão não foi diferente. A captura de Ivo Jima, permitiu que os americanos enviassem caças para escoltar seus bombardeiros contra o Japão. Cidade após cidade foi bombardeada com milhares de toneladas de bombas. Os americanos utilizavam napalm e incendiárias de fósforo branco nestes ataques. As construções japonesas baseadas em madeira e papel eram um alvo perfeito para isso.

Tóquio, a capital japonesa e onde vivia o Imperador Deus, foi bombardeada de 17 de novembro de 1944 ao dia da rendição japonesa, 15 de agosto de 1945. O total estimado de mortos nesta campanha foi de 200.000 e não há dados disponíveis sobre o total de feridos. Um milhão de pessoas perderam suas casas. Na noite do dia 9 para 10 de março de 1945, 334 aviões de bombardeio B-29 dos quais apenas 279 conseguiram atacar a cidade, lançaram 1.655 toneladas de bombas, incluindo ‘cluster bombs’ de 230 kg que liberavam 38 bombas menores incendiárias de napalm. Foram mortas 100.000 pessoas neste único ataque, considerado o mais devastador da história. Outras 125.000 ficaram feridas. Neste momento Tóquio possuía cerca de 6 milhões de habitantes, portanto as baixas foram de 3,7%. Mesmo com a capital devastada e alguns militares de alta patente questionando a falta de necessidade destas mortes indicando a rendição, o grupo militar e político que pretendia a luta a até a morte e contava com aquelas projeções da ‘invasão impossível’ que você leu acima prevaleceu.

Kyoto, por ser uma cidade histórica, foi poupada. Posteriormente incluída como quarta cidade para o ataque nuclear, foi descartada também.

O ATAQUE NUCLEAR

Igualmente, os americanos tinham a certeza de que não poderiam invadir as ilhas. O que se vende para as pessoas como ‘desculpa’ para o ataque nuclear, é uma simplificação do conceito de que “lançaram a bomba para salvar vidas americanas”. Neste estudo, onde apresentamos uma complicação deste conceito, você já entendeu que as coisas eram diferentes do que as pessoas imaginam que são.

O programa nuclear norte-americano levado da teoria à prática por vários cientistas judeus, baseados na ‘física degenerada’ de outro judeu, Albert Einstein, cujos estudos e trabalhos foram queimados na Alemanha Nazista (ainda bem), visava atacar a Alemanha e não o Japão. Mas a guerra na Europa acabou antes da primeira bomba estar operacional e ser testada.

Quando o presidente Truman recebeu a informação, ainda durante a Conferência de Potsdam na Europa de que a bomba de teste, chamada Trinity (Trindade), foi muito mais bem sucedida que qualquer um pudesse imaginar, ele ordenou a entrega de um ultimato ao Japão exigindo a rendição. Tal documento foi considerado pelos japoneses como uma atitude arrogante do ‘inimigo impossível’ e a guerra continuou. Truman mandou atacar.

No início de agosto de 1945 havia apenas duas cidades classificadas como médias e grandes no Japão que ainda não tinham sido destruídas por bombardeios convencionais: Hiroshima e Nagazaki. A imagem que é passada quando se fala apenas sobre Hiroshima é que teria sido uma escolha aleatória para levar o fogo do inferno aos civis japoneses. Mas só havia duas escolhas. A terceira cidade, definida com alvo era Kokura a de menor população entre as três, com 150.000 habitantes onde havia 2.800 prisioneiros de guerra americanos, ingleses e holandeses. 1.500 deles chegaram de navio na manhã do dia 9 de agosto, portanto o comando americano nem sabia disto. Kokura possuía um dos arsenais onde eram fabricados os fuzis e baionetas no exército. A praticamente impossível se definir que qualquer cidade pequena, média ou grande japonesa deixava de possuir algum alvo militar legítimo.

Ao contrário da propaganda soviética pós-guerra introjetada no inconsciente coletivo do mundo até hoje, Hiroshima não era uma cidade civil. No Japão ela era conhecida como Cidade Exército. É exatamente ao contrário do que a propaganda afirma. Hiroshima era a base do Segundo Exército Geral e do Exército Regional de Chugoku. O quartel general dos fuzileiros navais japoneses também se localizava lá. No momento do ataque nuclear em 6 de agosto de 1945 havia cerca de 350.000 habitantes e militares na cidade. 80.000 foram mortos imediatamente e até o final de 1945 outros 166.000 morreram em decorrência de ferimentos e radiação. Ainda assim, 104.000 sobreviveram, 29% da população. 77% dos prédios e casas da cidade foram destruídos. A cidade era praticamente plana.

Após este ataque novo ultimato para rendição foi enviado ao Japão, mas suas lideranças políticas e militares consideraram o ataque apenas como um novo formato com perdas aceitáveis, se bem que ainda não contabilizadas e entendidas corretamente. Naquele momento nem quem atacou nem quem foi alvo tinha qualquer ideia dos efeitos da radiação que afetaria os sobreviventes e mataria o dobro de pessoas em relação as que morreram pela explosão. Dentro da previsão da “invasão impossível”, o alto comando nipônico decidiu ignorar os americanos e manter a guerra.

Aspecto de Nagazaki após o ataque nuclea
Aspecto de Nagazaki após o ataque nuclear

Truman ordena então a utilização da segunda bomba atômica. No dia 8 de agosto a União Soviética declara guerra ao Japão. O alvo seria Kokura, mas estava encoberto e as ordens obrigavam pontaria visual e não por radar. Os Bs-29 do segundo ataque se dirigiram então para o alvo restante, Nagasaki, distante 100 km. Militarmente era uma cidade muito mais importante. Nagazaki possuía importantes estaleiros, a siderúrgica e fábricas de explosivos, armas e aviões de combate da Mitsubishi. Em 9 de agosto, dia do ataque nuclear havia 263.000 pessoas na cidade: 240.000 japoneses civis, 9.000 soldados, 10.000 residentes coreanos, 2.500 prisioneiros escravos coreanos, 600 chineses prisioneiros escravos e 400 prisioneiros de guerra aliados. O total de mortos atribuídos a explosão, ferimentos e radiação até o final do ano é de 80.000, ou seja 33%. A cidade não era plana, possuindo colinas e elevações.

Um terceiro ultimato foi enviado por Truman para Tóquio. E o alto comando japonês se dividiu. Os civis queriam a rendição e os militares queriam a luta até a morte de todas. Não houve consenso e o primeiro ministro japonês decidiu ser ousado e foi levar a questão pela primeira vez ao Imperador Deus Hiroito. Sabendo possuir a palavra final sobre todas as questões no Japão, e ainda com milhões de soldados ativos e não derrotados no continente, o Imperador decidiu dar um basta na carnificina e ordenou a rendição, não imediatamente, pois Tóquio continuava sendo bombardeada diariamente desde o dia 10 de agosto e havia um temor de que a próxima bomba atômica atingisse a já depauperada capital. Não sabiam os japoneses que sua capital não foi atacada desta forma por que não existiam outras bombas atômicas. As três construídas já haviam explodido.

No dia 15 o Japão se rendeu, com uma condição perversa, a de que o Imperador não fosse preso e julgado pelos crimes de guerra que suas tropas cometeram. Quem pregava um império de mil anos na Europa matou-se com um tiro na cabeça e quem pregava no Japão, ao seu povo o suicídio em seu nome não se matou, não foi julgado e foi mantido no poder, sucedido por seus descendentes até hoje.

A foto mais terrível da Segunda Guerra Mundial.  Com um golpe de espada um oficial japonês corta o pescoço de uma jovem mãe chinesa nua e ensanguentada após cortar a cabeça do bebê dela inutilmente protegido em seus braços.
A foto mais terrível da Segunda Guerra Mundial. Com um golpe de espada um oficial japonês corta o pescoço de uma jovem mãe chinesa nua e ensanguentada após cortar a cabeça do bebê dela inutilmente protegido em seus braços.

Uma consideração final. Da mesma forma que Stalin firmou um pacto de não agressão com Hitler, aliando inicialmente comunistas e nazistas, que chegaram a ocupar a Polônia simultaneamente, pacto este só desfeito quando a Alemanha decidiu invadira a União Soviética, os comunistas também possuíam um pacto de não-agressão com os fascistas-teocráticos japoneses, rompido apenas no dia 5 de agosto de 1945

Desinformatsiya: a arma russa para conquistar mentes ESCRITO POR LUIS DUFAUR | 29 JULHO 2015 ARTIGOS – DESINFORMAÇÃO

A desinformação é tão velha quanto o Cavalo de Tróia. No passado ela existiu como um recurso colateral da guerra propriamente dita. Hoje, para o Kremlin a “psico-esfera” é o teatro primordial do conflito.

As fantasias conspiratórias do canal Russia Today põem em prática as “medidas ativas”, táticas psicológicas da velha KGB que o desertor soviético Oleg Kalugin descreveu como “o coração e a alma dos serviços de inteligência”.
Uma torrente de sites e perfis até havia pouco desconhecidos invadiu a Internet. Procedência: Rússia.

Margo Gontar, da escola de jornalismo da Universidade Mohyla, em Kiev, procurou imagens de crianças mortas no Google e as encontrou. Estavam todas em sites de notícias e nas redes sociais com títulos que atribuíam as mortes a gangues fascistas ucranianas treinadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), narra um estudo de Peter Pomerantsev, publicado originalmente no jornal britânico The Guardian.

Peter Pomerantsev está especializado no tema e é autor de Nada é verdade e tudo é possível: o coração surrealista da Nova Rússia (Nothing Is True and Everything Is Possible: The Surreal Heart of the New Russia, PublicAffairs – Perseus Book, EUA, 2014, 256 páginas).

Na realidade, muitas fotos eram antigas, tiradas de crimes que nada tinham a ver com a Ucrânia, ou até mesmo de filmes.

Nos noticiários da TV estatal russa Margo achou, com muito destaque, mulheres gorduchas aos prantos e velhos falando de ucranianos que espancam cidadãos de língua russa.

Os testemunhos pareciam absolutamente autênticos. Mas Margo notou que as mesmas mulheres gorduchas e os homens machucados apareciam em diferentes noticiários, identificados como pessoas diferentes.

Em uma notícia, uma mulher era apresentada como “residente em Odessa”. Na notícia seguinte, a mesma mulher era “mãe de um soldado!”. Mais adiante, era uma “moradora de Kharkiv” e depois “ativista anti-Maidan”.

Após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, Margo achou obras-primas de teorias de conspiração pró-russas: um controlador de tráfego aéreo teria identificado jatos militares ucranianos seguindo o avião, por exemplo. Mas não achou nenhuma prova de que o controlador existisse realmente.

Achou dezenas de sites em russo e em inglês que afirmavam que o MH17 fora derrubado pelos EUA, numa tentativa de atingir o avião de Vladimir Putin.

Outros divulgaram que a bordo do avião só havia cadáveres, colocados antes da decolagem. E muitos se diziam direitistas, antimaçônicos, anti-illuminati e, obviamente, anti-EUA e anti-capitalistas.

Nada disso era verdade, salvo o ódio contra os EUA e a Ucrânia, que escapuliu da bota putinista.

Margo procurou a imprensa ocidental em busca de informações sólidas, mas também tropeçou. Respeitáveis fontes, como a BBC, ecoavam com frequência a versão originada no Kremlin.

Quem aprofunda a fonte dos truques encontra o manual russo Informação e Operações da Guerra Psicológica: Breve Enciclopédia e Guia de Referência, editado em 2011 em Moscou pela Hotline Telecom e atribuído a Veprintsev et al.

O livro destina-se a “estudantes, políticos especialistas em tecnologia, aos serviços de segurança do Estado e a funcionários públicos”. É uma espécie de manual para jovens guerreiros da informação.

As armas da informação, diz o texto, “produzem uma espécie de radiação invisível” sobre seus alvos. “A população nem sequer percebe que está sendo manipulada”.

Enquanto a guerra tradicional emprega canhões e mísseis, prossegue a enciclopédia, “a guerra da informação é maleável e nós nunca podemos prever o ângulo ou os instrumentos de um ataque”.

A enciclopédia de 495 páginas contém uma introdução à guerra psicológica, um glossário de termos básicos e gráficos que descrevem os métodos e as estratégias de operações defensivas e ofensivas, incluindo “a trapaça operacional” (maskirovka), a “influência matemático-programática”, a “desinformação”, a “imitação, e “a radiodifusão e a TV”.

Na “guerra normal”, explica a enciclopédia, “a vitória se fundamenta no sim ou no não”; na guerra da informação, ela se baseia na sedução e na contradição postas nas cabeças das vítimas sem que elas tenham consciência disso.

A “guerra da informação” é definida na enciclopédia russa em termos próprios de uma confusa ficção científica. Mas a confusão é aparente e visa despistar os não iniciados. Os mestres desvendam o significado subjacente para os discípulos escolhidos.

Em 2013, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Federação Russa, Valery Gerasimov, afirmou que era possível derrotar inimigos lançando mão de uma “combinação de campanhas políticas, econômicas, de informação, tecnológicas e ecológicas” sem confronto físico, mas agindo na “psico-esfera” por uma misteriosa “irradiação”.

Seguindo esse critério, as guerras do futuro serão travadas não no campo de batalha, mas nas mentes dos homens.

Porém, a desinformação é tão velha quanto o Cavalo de Tróia. No passado ela existiu como um recurso colateral da guerra propriamente dita. Hoje, para o Kremlin a “psico-esfera” é o teatro primordial do conflito.

A enciclopédia ensina: “Em muitos lugares, a guerra da informação substitui a guerra tradicional”. Ela visa levar a melhor sobre os inimigos da Rússia sem disparar um tiro.

Se a batalha mudar para a “esfera psicológica”, a supremacia tecnológica da OTAN fica irrelevante. No inverno passado, escreveu Peter Pomerantsev, de The Guardian, reuni-me com Rick Stengel, subsecretário de Estado dos Estados Unidos responsável pela formulação da resposta americana às operações da Rússia no campo da informação.

Desde a anexação da Crimeia, sua equipe postou listas de fatos nas redes sociais para contradizer as desinformações do Kremlin.

Exemplo típico de vetor da desinformatsiya é a Russia Today (RT), emissora internacional de notícias, que prometeu uma visão alternativa da mídia convencional americana. E assim seduziu muitos conservadores que não têm espaço nos órgãos do macrocapitalismo publicitário.

O canal de Putin recebe US$ 230 milhões por ano do Kremlin, diz atingir 700 milhões de telespectadores e ser “o maior provedor de notícias do YouTube”.

Por trás, a diretora da RT, Margarita Simonyan, bate na mensagem da guerra psicológica: “Não existem reportagens objetivas”.

Não há nenhuma razão para confiar na rede de TV de Putin. Sua principal mensagem é que você não deve confiar na mídia ocidental: essa é a vitória visada. A verdade deve ser sacrificada.

Uma reportagem da RT insinuava que a CIA inventou o Ebola contra as nações em desenvolvimento. Outra dizia que a guerra civil na Síria foi “planejada em 1997 por Paul Wolfowitz”.

As fantasias conspiratórias do canal Russia Today põem em prática as “medidas ativas”, táticas psicológicas da velha KGB que o desertor soviético Oleg Kalugin descreveu como “o coração e a alma dos serviços de inteligência”.

Segundo Kalugin, departamentos inteiros na Rússia se dedicavam a essa singular “subversão: provocar uma cisão dentro da comunidade ocidental, particularmente na OTAN, e enfraquecer os EUA”.

A tática favorita é plantar histórias falsas, a desinformatsiya, em agências de notícias internacionais.

Uma reportagem do início dos anos 80 apresentou uma prova médica meticulosamente inventada de que a CIA havia criado a AIDS para exterminar a população afro-americana.

Mas a nova desinformatsiya é barata, grosseira e colocada online em segundos. O objetivo é criar confusão em torno da verdade.

Shaun Walker reportou recentemente uma “fábrica de boatos” em São Petersburgo, onde os funcionários recebem 500 libras esterlinas por mês para fingir serem usuários regulares da internet. Com essa máscara assumem a defesa de Putin, postando fotos contra os líderes estrangeiros e espalhando teorias conspiratórias.

Todos esses esforços trabalham para minar a infraestrutura da razão. A argumentação racional se esvai, numa nuvem de incerteza. A vítima fica confusa, deixa de raciocinar, acha que nada tem lógica, só enxerga caos e conclui que carece de sentido prestar atenção na realidade. Nesse momento, ela capitulou.

A guerra da informação de Putin gera condições ideais para a proliferação dos sonhos conspirativos nas direitas populistas, como a Frente Nacional (FN) da França ou o Jobbik da Hungria, que apoiam e são apoiados por Moscou.

Segundo Pomerantsev, em momentos de incerteza financeira e geopolítica as pessoas adotam teorias bizarras para explicar as crises.

Mas, por que não procuram a objetividade da verdade?

Aqui começam os mistérios da “radiação invisível” à qual se refere o manual russo da guerra da informação. Qual é a força que os leva a acreditar no confuso, no contraditório, no absurdo, e a se afastar do positivo e do racional?

Quando a ideia do discurso racional é corroída, tudo o que resta é o espetáculo, a sensação, o sentimento. Isso é prazeroso e convida a não reagir.

O lado que narra belas histórias – que podem ser religiosas, místicas, como as espalhadas pela Igreja Ortodoxa russa a respeito do líder supremo russo – derrotará quem tentar “provar” um fato de maneira ordenada, porque o público vitimado renunciou a aplicar a lógica e o raciocínio, e busca a sensação.

A estratégia de informação do Kremlin visa ao que Stephen Colbert chamou de truthiness (uma espécie de “verdade subjetiva” ou “instintiva”), que prevalece sobre o discurso fundamentado em fatos, na cabeça de quem fez do caos a realidade que comanda o mundo e se refugia na sua fantasia.

“Existem dois possíveis enfoques da guerra da informação”, assevera a enciclopédia russa. O primeiro “reconhece a primazia dos objetos no mundo real” e tenta girá-los numa direção favorável ou desfavorável. Este lado é o que deve perder a nova guerra.

Porém, o enfoque “mais estratégico”, preferido, coloca “a informação antes dos objetos”. Leia-se a informação deteriorada e sorrateiramente caotizada nos laboratórios de Moscou, instrumento que serve à vitória da nova e esquisita guerra.


Luis Dufaur
, escritor, edita o blog Flagelo Russo.

Uma radiografia da destruição do real – ou: não há economia forte com uma moeda doente por Leandro Roque, sexta-feira, 20 de março de 2015

Os americanos estão rindo à toa.  E às nossas custas.  Tanto o café da manhã quanto o churrasco deles ficaram bem mais baratos.  Do pão ao café, passando pelo bacon e pela carne de boi, tudo barateou para eles.Quem foi o responsável por isso?  Nós brasileiros.  E, como consequência dessa nossa “gentileza”, esses mesmos alimentos ficaram bem mais caros para nós.

Com o esfacelamento do real perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente perante o dólar —, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral.

Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços.

Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.

Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram até motivo de debate na campanha eleitoral, seguemcrescendo.  E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela aumenta as exportações e reduz a oferta interna; de outro, ela encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar.  Se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta).  E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção.  (Apenas neste mês de março, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.250)

Consequentemente, os preços da carne são pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da produção.  Por trás de tudo, está o câmbio.

E o problema é que a desvalorização cambial não se restringe apenas ao setor alimentício ou às commodities.  Tampouco a desvalorização cambial, ao contrário do que muitos pensam, afeta apenas os preços de bens importados.

A desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata.

Além de encarecer alimentos (em decorrência dos fenômenos acima descritos), remédios (85% da química fina é importada), e todos os importados (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários), a desvalorização cambial também encarece os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), e até mesmos os preços dos alugueis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar).

E o aumento do aluguel e o encarecimento da eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina mecânica).

E todos esses aumentos generalizados farão com que os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para consertar — também tenham de aumentar seus preços.

Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.

Por que uma moeda fraca afeta negativamente toda a economia

A saúde de uma economia é totalmente dependente da saúde de sua moeda.  Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a robustez da moeda irá determinar a saúde de toda a economia.  Se a moeda enfraquece, a economia vai junto.  Se a moeda fica doente, a economia também adoece.

Não há como uma economia se fortalecer se a sua moeda está enfraquecendo.

Classicamente, o dinheiro tem a função de ser um meio de troca.  Mas, além de facilitar as transações econômicas, o dinheiro também tem a função de mensurar o valor dos bens e serviços.  Ao vender ou comprar qualquer bem ou serviço — seja um carro, um apartamento ou uma mão-de-obra —, você o precifica em unidades monetárias.  O dinheiro é a régua com a qual você faz essa mensuração.  Toda a riqueza material que possuímos é mensurada pela nossa moeda.

Daí os economistas clássicos, à sua época, defenderem a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível.  Tais economistas corretamente compreenderam que ter uma moeda fiduciária, não lastreada por nada, e cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente.

Imagine o que ocorreria se a definição de metro, grama e minuto fosse alterada diariamente?  Num dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros.  Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros.  Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro flutuante gera uma enorme quantidade de investimentos insensatos, uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Por isso, ao longo da história humana, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca e unidade de conta.  Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro.

(Em dezembro de 2008, um arqueólogo britânico descobriu, nos arredores de Jerusalém, aproximadamente 300 moedas de ouro datadas de 600 d.C., todas elas emitidas pelo imperador bizantino Heráclio, e todas elas valendo o mesmo tanto que valiam há 1.400 anos, se não mais.)

Hoje, infelizmente, a teoria econômica que se tornou dominante — e que é adotada por quase todos os governos — inverteu completamente essa lógica.  Os economistas de hoje não mais veem o dinheiro como uma unidade de conta que deve ser a mais estável possível.  Não.  Eles querem flutuar o metro, o minuto e o grama.  Eles querem ter uma régua, um relógio e uma balança que sejam diariamente alterados.  E eles genuinamente acreditam que isso gera desenvolvimento econômico.

Os economistas de hoje acreditam que uma unidade de conta sem qualquer âncora, totalmente volúvel e flutuante, turbina a atividade econômica.  Pior ainda: dentre esses economistas, há aqueles que vão ainda mais além e dizem abertamente que, quanto mais distorcida for nossa unidade de conta, maior será a nossa criação de riqueza e maior será nosso desenvolvimento.  “Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google”, parece ser o lema.

A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e melhor, e a investir com mais sapiência.  “Altere fortemente a definição de metro, minuto e grama, e amanhã viramos uma Suíça”.

Eis o principal problema com esse raciocínio: quando investidores investem, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura.  Para que investidores invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza.  Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os investimentos vultosos de longo prazo.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os juros são altos.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os bens produzidos são de baixa qualidade.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres.

E é exatamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento econômico.  Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe.  O investimento em tecnologia é maior.  O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior.  O investimento em infraestrutura é maior.  O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior.

Já quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização —, os investidores preferem se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo.  Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos.  E, consequentemente, age contra o crescimento econômico.

É por isso que nenhum país que tem moeda instável e com baixo poder de compra produz bens de qualidade e que são altamente demandados pelo comércio mundial.  Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Uma moda fraca e instável, portanto, não apenas afeta todos os preços internos de um país (se a moeda está fraca, então será necessária uma maior quantidade dela para adquirir o mesmo bem), como também enfraquece toda a economia.

Não há escapatória: moeda fraca, investimentos baixos, economia fraca, carestia alta. Sem exceção.

A prática no Brasil

Toda essa longa digressão foi para explicar o que está ocorrendo no Brasil.  Nossa moeda está doente.  E essa doença da moeda é, sem dúvida, o grande catalisador da insatisfação generalizada com o governo Dilma.

Este artigo exibe 20 gráficos que mostram que, durante o governo Dilma, o real se tornou uma moeda assustadoramente instável e fraca, tendo se desvalorizado até mesmo perante as moedas do Haiti, do Paraguai e da Bolívia.

Mas mensurar o real perante outras moedas igualmente fiduciárias ainda não conta toda a história.  Para ver a verdadeira saúde da moeda é necessário compará-la ao ouro — mais especificamente, a evolução do preço do ouro nesta moeda.

O ouro sempre foi a constante historicamente usada para mensurar objetivamente a robustez de uma moeda.  Se o preço do ouro está subindo, a moeda está enfraquecendo; se o preço do ouro está caindo, a moeda está se fortalecendo.

No que mais, dado que o ouro é uma commodity que é literalmente transacionada diariamente e a todo o momento, o preço do ouro representa um indicador instantâneo que expõe, antes de todas as outras estatísticas posteriormente coletadas, os erros (e os acertos) da política monetária.

E como se comportou o real, desde sua criação, perante o ouro?  O gráfico abaixo mostra o preço, em reais, de um grama de ouro desde 1º de julho de 1994 (ignore aquelas linhas verticais; é defeito do algoritmo do Banco Central):

ouro1.png

Gráfico 1: preço, em reais, de um grama de ouro.

O gráfico revela informações muito interessantes:

1) Quando nasceu, eram necessários R$ 10,50 para comprar 1 grama de ouro.  Hoje, são necessários R$ 120.  Isso significa que o real já se desvalorizou 91% desde sua criação.

2) Houve dois períodos em que o real foi relativamente estável perante o ouro: de julho de 1994 a dezembro de 1998, e de janeiro de 2004 a agosto de 2008.

3) Esses dois períodos foram justamente aqueles em que o percentual de pobreza extrema mais caiu: 30% de 1993 a 1998, e 50% de 2003 a 2008.

4) Também foi durante estes dois períodos que a inflação de preços acumulada em 12 meses mais caiu: de 5.000% em junho de 1994 para 1,65% em dezembro de 1998, e de 17% em maio de 2003 para 3% em abril de 2007 (depois subindo para 6% em meados de 2008, em grande parte por causa da grande carestia mundial vivenciada pelosalimentos e pelo petróleo naquela época).

5) Já os dois períodos de maior descontrole foram os de 1999 a 2002, quando o preço do ouro quadruplicou e a pobreza extrema aumentou quase 10% (ver os dois links do item 2), e de meados de 2008 até hoje, em que o preço do ouro subiu 2,8 vezes.  E, embora a pobreza extrema ainda tenha sido reduzida de 2008 até 2012, seu ritmo de queda foi bem mais lento (ver links do item 2).  E, em 2013, a pobreza extrema voltou a subir.

6) Como era de se esperar, o investimento explodiu logo após a criação do real, chegando a 24% do PIB no segundo semestre de 1994, taxa até então insuperada.  E se manteve em torno dos 20% até 1998.  Depois, caiu 9% de 2000 a 2003.  Já de 2003 a 2008, nova disparada, com um aumento de 25% (de 15,3% para 19,1% do PIB).  A partir de 2008, no entanto, e como era de se esperar só de olhar o gráfico, o investimento estagnou.

7) Quando a moeda começa a se desvalorizar mais intensamente, ocorre aquilo que Mises chamou de “corrida para ativos reais”: os investidores, em vez de aplicar seu capital em investimentos produtivos e criativos, passam a investir em ativos que oferecem proteção contra a desvalorização da moeda.  Investimento em imóveis é a forma mais tradicional no Brasil.  Não é de se surpreender, portanto, que a explosão nos preços dos imóveis no Brasil tenha ocorrido entre 2006 e 2012 (período em que o preço do ouro aumentou 3,5 vezes).

8) O atual momento de forte desvalorização do real, que gerou contração nos investimentos, sintetiza bem o descontentamento com o atual governo.  O grama do ouro nunca esteve tão caro na história do real, e o ritmo da desvalorização só perde para o de janeiro de 1999.  A população está perdendo seu poder de compra aceleradamente.

Não é à toa que a confiança do empresariado despencou forte e está no menor nível da série histórica:

brazil-business-confidence.png

9) No entanto, caso a atual desvalorização do real (veja a extremidade direita do gráfico 1) se mantenha, não descarte uma ressurreição na atividade imobiliária para fins puramente especulativos e de proteção de riqueza.

Vale repetir: quando a moeda se torna instável e se desvaloriza fortemente, o investimento deixa de ter fins produtivos e passa a se concentrar em atividades puramente especulativas, com o intuito de proteger a riqueza.

Nos Estados Unidos

Agora vejamos os Estados Unidos.

Lá, é possível perceber fenômenos idênticos.  O gráfico a seguir mostra a evolução do preço de uma onça (31,1 gramas) de ouro em dólares:

fredgraph.png

Gráfico 2: preço, em dólares, de uma onça (31,1 gramas) de ouro

Algumas breves constatações:

1) Até 1971, o dólar era ancorado ao ouro.  Em agosto de 1971, o presidente Nixon aboliu essa âncora, e o dólar passou a flutuar.

2) Como mostra o gráfico, a década de 1970 foi a década perdida dos EUA, principalmente o período 1976-1980, com a famosa estagflação do governo de Jimmy Carter.

3) Imediatamente após a flutuação do dólar, ocorreram nada menos do que 3 recessões em apenas 8 anos (áreas cinzas).

4) No entanto, de 1983 a 2000, o preço do dólar se manteve relativamente estável em relação ao ouro.  Naturalmente, esses foram os anos da pujança americana.  Alto crescimento, fartos investimentos, baixa inflação de preços, padrão de vida inigualável, pujança tecnológica, domínio econômico global.  A quantidade de pessoas empregadas em relação à população total alcançou um nível que não mais foi superado. Vale observar que grandes empresas tecnológicas como Microsoft, Intel e Apple, embora tivessem sido criadas em décadas anteriores, só realmente se expandiram forte na década de 1980, quando abriram seu capital.  Adicionalmente, a Cisco foi criada na década de 1980, e a Google, em 1998.  E não nos esqueçamos da incrível Amazon, fundada em 1994.

5) A partir de 2002, o dólar começa a se desvalorizar fortemente.  A Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, acelerou ainda mais a desvalorização.  Entre 2002 e 2008, o preço da onça de ouro pula de US$ 300 para quase US$ 1.000.  E, como explicou Mises, isso gerou uma corrida para ativos reais, que culminou na bolha imobiliária.  As pessoas pegavam empréstimos, compravam imóveis e revendiam a preços ainda maiores.  É por isso que há quem diga que a bolha imobiliária americana nada mais foi do que uma inevitável reação das pessoas à desvalorização do dólar.

6) Embora o gráfico possa enganar, vale ressaltar que a desvalorização do dólar no período 2008 a 2012 foi percentualmente bem menor que a do período 2002—2008.

7) Caso a atual tendência de estabilidade do dólar se mantenha, a economia americana tem tudo para se recuperar em definitivo.

8) Observe que, de 2003 a meados de 2008, nossa moeda foi muito mais bem gerida que o dólar.  Daí a grande popularidade de Lula (leia-se: Henrique Meirelles).

Um breve comentário sobre o salário mínimo no Brasil

Recentemente, a imprensa anunciou com estardalhaço que o poder de compra do salário mínimo em janeiro deste ano foi o maior desde 1965.  Só que a fonte desse “estudo” é o próprio Banco Central, o mais interessado em propagandear notícias a seu favor.

Utilizando uma metodologia completamente convoluta, a mesma instituição que está nos agraciando com um IPCA de quase 8% se autopromoveu desavergonhadamente e a mídia docilmente reportou sem contestar.  Desnecessário dizer que, se tal notícia fosse realmente verídica, a aprovação do governo Dilma entre a população que ganha salário mínimo não seria a pior desde o final do governo Collor.

Portanto, façamos o que é certo: comparemos o salário mínimo à commodity que historicamente sempre foi utilizada para mensurar a robustez de uma moeda.

O gráfico a seguir mostra, em termos diários, quantos gramas de ouro o salário mínimo (veja aqui os valores) comprava.

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Gráfico 3: quantos gramas de ouro um salário mínimo compra

Veja como a história fica bem diferente.

1) O maior valor do salário mínimo foi alcançado em agosto de 1998.  Naquela época, um salário mínimo comprava 12,38 gramas de ouro.  Não é de se estranhar, portanto, que Fernando Henrique tenha sido o único presidente a se reeleger no primeiro turno.

2) O crescente valor do salário mínimo (estipulado pelo governo) de 1994 a 1998 explica por que o desemprego naquela época foi alto.  Nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

3) A abrupta queda no poder de compra do salário mínimo de 1999 a 2002 (terminou 2002 comprando apenas 5 gramas de ouro) destruiu a reputação de FHC entre os mais pobres.

4) De 2003 a meados de 2008, o poder de compra do salário mínimo dobrou.  Mas, ainda assim, era equivalente ao valor do primeiro semestre de 1997, e bem abaixo do poder de compra alcançado em meados de 1998.  No entanto, tamanha recuperação foi o suficiente para garantir a elevada popularidade de Lula.

5) Durante todo o governo Dilma, o poder de compra do salário mínimo tem sido um dos mais baixos da história do real.  Isso ajuda a explicar o baixo desemprego (que, estatisticamente, é o mais baixo da história do real).  De novo, nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

Conclusão

O artigo foi iniciado falando sobre como nós estamos garantindo a boa, farta e barata mesa dos americanos, e à custa de nosso próprio estômago.  A extremidade direita dos gráficos 1 e 2 explica a história.  Não é que o dólar esteja se valorizando (ele está, é fato); o real é que está sendo impiedosamente destruído.

A desvalorização do real é um fenômeno que gera uma bonança para os consumidores estrangeiros e carestia para todos os consumidores nacionais.  Nossa renda efetiva cai, nosso poder de compra cai, a confiança despenca, os investimentos desabam, a economia degringola, a pobreza aumenta.  E nossos produtos, inclusive alimentos, são mandados para fora a um volume maior.

É justamente por isso que é irônico ver economistas de esquerda defendendo desvalorização da moeda como forma de estimular o crescimento econômico.  Além de não fazer nenhum sentido econômico (adulterar a unidade de conta da economia não gera crescimento; ao contrário, gera desinvestimento), é difícil imaginar uma medida mais anti-povo do que essa.

A população foi às ruas protestar não só por causa da corrupção.  Ela foi às ruas porque a moeda está sendo destruída a um ritmo que mais parece a aceleração de um Fórmula 1, e isso afeta diretamente a qualidade de vida, o bem-estar e robustez da economia.

A conta de luz subiu 50%. O dólar está em R$ 3,25.  O país está em recessão.  O desemprego chegou.  A tabela do imposto de renda não foi corrigida para compensar a perda do poder de compra da moeda.  Encher o tanque ficou bem mais caro.  A Petrobras não consegue publicar seu balanço há seis meses por conta de um esquema de corrupção que desviou, por baixo, R$ 88 bilhões de seus cofres.  O BNDES empresta bilhões de reais para ditadurase se nega a prestar contas desses empréstimos.  O ex-presidente ameaçou colocar um exército paralelo nas ruaspara coibir quem pensa diferente.  O governo paga pessoas para se manifestarem a seu favor.

E, no entanto, se você reclama de algo, você só o faz porque é da “elite branca” que odeia pobres.

Chegamos a um ponto em que nem sequer podemos mais reclamar da destruição da nossa moeda e da perda do nosso poder de compra.  Não mais podemos reclamar que o governo está, mais uma vez, desarranjando a economia e nossa qualidade de vida.  Se você faz isso, você é rotulado de “elite branca”.  E por pessoas que juram que isso é um argumento.

Voltamos ao jardim de infância.

Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo?  Estabilize a moeda em relação ao ouro.  As consequências são incríveis.  Não é teoria.  É empiria.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Ladram os cães de guarda do PT: Ilimar Franco e a Rede Globo, Luis Nassif e Kennedy Alencar ESCRITO POR LUCIANO AYAN | 29 JULHO 2015 MEDIA WATCH – OUTROS


O que ainda segura o PT é o uso criminoso de verba estatal para comprar apoio político, seja na Internet, seja na mídia de larga escala. Ao não priorizarmos esta batalha, temos que gastar esforços ao cubo em outras demandas.


Ilimar Franco acusa movimentos de direita de “nazismo” e inicia nova fase da guerra midiática contra a liberdade

O jornalista Ilimar Franco, do Globo, resolveu levar a guerra midiática contra os opositores do PT a novos patamares. Ele adentrou ao território do confronto aberto. Enfim, as organizações Globo resolveram, assim como fizeram na ditadura militar, abraçar com toda força a ditadura petista. Para compreendermos diante de qual nível de baixeza estamos, melhor começar com a análise de Alexandre Borges, com muitas informações interessantíssimas:

“Quando a ultra-petista Tereza Cruvinel saiu do jornal O GLOBO em 2007 para assumir a presidência da EBC (TV Brasil, NBR TV, Agência Brasil e várias rádios) a convite de Lula, deixou em seu lugar o cunhado Ilimar Franco. É como no futebol quando um técnico sai e deixa seu carregador do saco de bolas e uniformes no lugar. Tereza Cruvinel na adolescência foi militante da Liga Operária, atual PSTU, mas depois deu uma “guinada à direita” e acabou petista.

Ilimar foi esquecido na coluna que a cunhada mais famosa assinava em O GLOBO e, oito anos depois, a indigência intelectual continua a mesma. Seu colunismo é do tipo mais comum em Brasília, o “papo de cafezinho”, aquele que se resume a publicar fofocas plantadas pelo PT e pela esquerda em geral para mandar recados a adversários e apitar os “dog whistles” para a militância. É como um blog de fofoca de celebridades, só que com gente feia nos holofotes.

A coluna de hoje reproduz, da maneira bocó e pedestre que caracteriza seu autor, a infalível Lei de Godwin: quando acabam os argumentos na discussão, resta chamar o adversário de nazista. Nesse caso, Ilimar não só cruzou esta última linha como associou diretamente os movimentos de rua contra o governo ao nazismo, com todas as letras, citando o MBL, o Vem pra Rua e o Revoltados On Line. O que resta a esses movimentos é, sem dúvida, a via judicial. Se algum advogado liberal estava esperando uma oportunidade para ajudar a limpar o país do petismo, ela chegou.

Você, que é um dos nove entre dez brasileiros cansados do petismo, também é visto pelo colunista como alguém que “ataca nordestinos” e é contra as cotas, uma maneira esquerdista light de te chamar de racista. Está bom de insultos para domingo de manhã num dos principais jornais do país?

Outra técnica manjada é tentar dar um ar acadêmico ao comentário, nesse caso convocando o esquerdista Alberto Carlos de Almeida para desqualificar os movimentos oposicionistas: “não tem expressão real”. Veremos nas próximas eleições, mas é interessante como o fato de 93% dos brasileiros desaprovarem esse desastrado, corrupto, inepto e decadente governo passa completamente despercebido para os “cientistas políticos” autorizados pelo petismo para frequentas as colunas de jornal.

Com a internet e as redes sociais, a população já não é mais refém desse tipo de delinquente que tem como única função no jornalismo avançar a agenda petista como se empurra comida goela abaixo de um ganso para produzir foie gras. Não mais, é hora do basta, e é sempre um alívio saber que os recados desse triste serviçal do petismo são cada vez menos relevantes para o eleitorado.”
Essa coisa, aliás, pode ser lida aqui, bem como na versão impressa do jornal. Abaixo segue um printscreen da acusação:

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Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, com toda razão não vai levar desaforo para casa. Veja o vídeo:


E tem que processar mesmo!

Porém, é importante acrescentar algo. Ilimar Franco e os blogueiros petistas fazem parte do mesmo time. A diferença é que os últimos geram o conteúdo que será depois multiplicado pela mídia de maior porte. Ryan Holiday já havia explicado o processo em um livro intitulado Trust Me, I´m Lying. Faço questão de adicionar o trailer abaixo por que (apesar de ser em inglês) ele dá uma descrição de como funciona:

Logo, é preciso combater o uso de verba estatal para os blogs petistas, que dependem de verba desproporcional para conseguir estabelecer verdadeiros think tanks virtuais, pelos quais criaram um negócio baseado na confecção de factóides para o governo.

Por outro lado, tudo que tem ocorrido tem origem nos últimos dois meses de 2014, quando o PT resolveu cortar, ao menos por algum tempo, as verbas estatais de anúncios para a Revista Veja, e, ao mesmo tempo, iniciou uma campanha para causar a censura de Rachel Sheherazade no SBT. Essas duas mensagens poderosíssimas fizeram com que a mídia, já tendenciosa em favor do governo, fosse se ajoelhar de uma vez por todas. Sendo que os blogs estatais continuam sendo abastecidos pelas verbas estatais, é óbvio que a coisa ia descambar para esses ataques, que serão ainda maiores daqui para a frente.

Em novembro de 2014, escrevi, após Rachel ter sido censurada:

“De novo, outra vitória simbólica estupenda do PT na questão da censura de mídia. De novo, outra vitória simbólica estupenda do PT na questão da censura de mídia. Se eles já conseguiram cortar verbas para a Veja (e ninguém falou nada), o silêncio dos republicanos em relação à mais esse caso irá cada vez mais implantar a seguinte mensagem no senso comum: “é lícito e normal que o governo use seu poder econômico para coagir empresas a direcionar conteúdo a seu favor, assim como punir aquelas que tenham conteúdo contra”.

Evidentemente, um impeachment de Dilma Rousseff é provável. Todavia, ele é triplamente mais difícil exatamente pelo fato de o governo continuar mantendo uma blogosfera estatal, direcionando conteúdo da mídia a partir de anúncios estatais. Bastaria uma proibição de anúncios de estatais monopolistas em qualquer mídia, além de definir critérios isonômicos para todos os meios (sem nenhum risco de sanção), o estabelecimento de um grande Adsense para anúncios de Internet (que ainda assim deveriam ser reduzidos, em investimento, comparado ao que acontece hoje) e a garantia da liberdade na Internet (onde nós podemos desconstruir as mentiras da mídia).

Em suma, o que ainda segura o PT é o uso criminoso de verba estatal para comprar apoio político, seja na Internet, seja na mídia de larga escala. Ao não priorizarmos esta batalha, temos que gastar esforços ao cubo em outras demandas.

Renan Santos faz muito bem ao processar Ilimar Franco Nós todos, porém, devemos priorizar leis para (1) encerrar ou limitar radicalmente anúncios de estatais monopolistas, (2) estabelecer um limite para gastos estatais com anúncios, (3) garantir isonomia de distribuição de verbas, (4) sem querer ser redundante, estabelecer limites e uma política de isonomia para anúncios estatais especialmente na Internet, e (5) garantir a Internet livre. Com medidas assim, tiramos o sorriso do rosto de gente como Ilimar Franco fácil, fácil…


Kennedy Alencar quer dar golpe em Cunha

Por que um petista chama os outros de golpistas o tempo todo? Simples: para esconder seu próprio vício em golpismo, uma vez que as ações petistas geralmente incorrem em golpe. Com Kennedy Alencar não seria diferente. Diz ele:

“O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diz que pretende continuar no comando da Casa na hipótese de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A denúncia deverá vir em breve.

Reservadamente, um dos investigadores afirma que o relato do que foi apurado até agora poderá levar Cunha a sofrer pressão política para reavaliar a intenção de continuar a presidir a Câmara. A denúncia teria fatos fortes.”

Ué, não é Eduardo Cunha quem precisa “pretender” continuar no comando da Casa na hipótese de denúncia. São os golpistas do PT que devem “pretender” tirá-lo de lá apenas com meras denúncias que, como tais em um Estado de Direito, não configuram motivo para afastamento (onde está o resultado do julgamento, Kennedy?). Ademais, segundo os próprios petistas, apeamento de alguém que foi eleito por voto é “golpe”. Neste caso, os petistas estariam dando um golpe duplo, posto que Cunha foi eleito pelo povo, no voto direto, e depois eleito Presidente da Câmara, por votação em uma Câmara de Deputados, todos eles eleitos pelo povo, também em voto direto.

“Na avaliação de quem está no centro das decisões da Lava Jato, a prisão preventiva de Cunha já teria sido pedida caso ele fosse um executivo de uma empreiteira. Investigadores dizem que o presidente da Câmara teria tentado interferir nas investigações. Cunha nega e se diz perseguido pela Procuradoria Geral da República.

Mas, como o peemedebista é chefe de um poder da República, seriam complicados os eventuais pedidos de prisão ou de afastamento da presidência da Câmara _este último uma possibilidade em estudo e ainda sem decisão da parte do Ministério Público.”

A coisa é mais simples. A expressão “seriam complicados os eventuais pedidos de prisão ou de afastamento” significam “o golpe é mais difícil”.

“Cunha sempre negou ter cometido crime no âmbito da Lava Jato. E já deu prova de que tem audácia política suficiente para enfrentar a Procuradoria Geral da República.

Segundo parlamentares que conversaram com Cunha nos últimos dias, ele estaria decidido a tentar ficar no comando da Câmara e a marcar o início do segundo semestre como um inferno para o Palácio do Planalto.

O duelo entre Cunha e Janot promete emoções.”

A emoção vai aumentar muito mais no momento em que os republicanos do Brasil (ou seja, todos aqueles que não apoiam o totalitarismo petista) começarem a demonstrar o quanto a tentativa de afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara é golpismo puro e simples.

O quão baixo os governistas podem descer? Cientificamente, não temos esta resposta, pois neste caso eles nos mostram descobrir a arte de explorar o infinito absoluto.

Os petistas destruíram a economia brasileira, saquearam o estado e aparelharam toda a máquina com tamanha proficiência porque possuem uma ética digna de assustar o Satanás. É gente com esse perfil que consegue, no mesmo instante em que acusam os opositores de “golpistas”, usar um discurso, este sim, golpista, e ainda por cima sem se corar.

A partir de agora, devemos aplicar a regra de Alinsky, que dita que devemos fazer o adversário sucumbir pelo próprio livro de regras, e humilhá-los em público a cada vez que tentarem dar um golpe em Eduardo Cunha.


Luis Nassif diz que não se importa se Othon Luiz Pinheiro da Silva é culpado ou não

O almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva apareceu na delação premiada de Danton Avancini, diretor da Camargo Correa (que lhe teria feito três pagamentos). Othon foi para trás das grades. Em vista disso, Luis Nassif afirmou:

“É possível que Othon seja culpado, é possível que não seja, pouco importa: desde hoje está na cadeia o pai do programa nuclear brasileiro.

O Brasil deve a Othon o maior feito de inovação da sua história moderna: o processo de enriquecimento de urânio através de ultra centrífugas. Foi um trabalho portentoso, que sobreviveu às crises do governo Sarney, ao desmonte da era Collor, aos problemas históricos de escassez de recursos, enfrentando boicotes externos, valendo-se de gambiarras eletrônicas para contornar a falta de acesso a componentes básicos, cuja exportação era vetada por países que já dominavam a tecnologia.”

Como se diz por aí… eu queria “desler” isso.

Quer dizer que Luis Nassif afirma que “pouco importa” se Othon é culpado ou não? O problema, conforme ele alega, é que o sujeito é definido como “pai do programa nuclear brasileiro”. Na verdade, não. Othon foi apenas o coordenador de projetos especiais e, como tal, poderia ter sido substituído por outra pessoa. O bizarro é que Nassif tratou o almirante como se fosse um cientista, sem o qual uma “descoberta” não existiria.

E nem que fosse! O fato é que as qualificações e méritos de Othon, neste momento, não significam absolutamente nada: o que importa é se ele é culpado ou inocente. Repare que para Nassif “não importa” se ele é culpado ou inocente. Quer dizer, mais uma vez um petista inverte tudo no momento de fazer avaliações morais.

Em tempo: nós não devemos nada a Othon. Que eu saiba ele recebeu salário pelo que fazia. E ele não fez caridade alguma. E ainda por cima o salário dele foi pago por nós.

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