Arquivo mensal: julho 2015

O ESTADO INTERVENCIONISTA SE MANTÉM PORQUE SABE EXPLORAR O MEDO DOS INDIVÍDUOS

Existem dois instintos subjacentes a toda a ação humana: o instinto da criação e da realização; e o instinto do medo e da insegurança. Quando o instinto de realização e criação é dominante no indivíduo, a liberdade se torna para ele o valor mais precioso. Quando, pelo contrário, a segurança é o instinto dominante, a inércia ou a estabilidade surgem como o valor mais apreciado.

No campo político — isto é, em toda essa área social na qual as pessoas procuram determinar regras e procedimentos comuns, aos quais todos os elementos de uma sociedade devem estar sujeitos —, aqueles dois valores são materializados em duas ideologias ou princípios de valores: o liberalismo e o intervencionismo.

O liberalismo se assenta essencialmente no primeiro daqueles valores: a liberdade. Já o intervencionismo se assenta inteiramente no segundo, a inércia.

Por sua própria definição, o liberalismo tem um caráter muito menos político do que o intervencionismo: o liberalismo simplesmente recorre ao essencial princípio da ação humana — inerente a cada indivíduo — para efetuar realizações e criações.
O liberalismo representa a ação positiva. E ele requer apenas única ação negativa: os indivíduos não podem agredir e coagir terceiros inocentes. Não se pode agredir a integridade física e a propriedade (inclusive a renda) de outros indivíduos. É apenas este aspeto, de um modo geral, que é para o liberal o objeto de ação política.

Já o intervencionismo se assenta em um conjunto de valores essencialmente negativos. Sob o intervencionismo, estabilidade e segurança financeiras são preferidas em detrimento da realização pessoal. Consequentemente, a inércia e o medo adquirem total proeminência ao passo que a liberdade pessoal vai se apequenando continuamente.

No intervencionismo, o campo de ação política estende-se indefinidamente, já que deve ser garantida a priori (em teoria), a todos os indivíduos, a tal segurança financeira. Como o ser humano, em liberdade, é a maior fonte possível de criação na natureza, e esta criação implica uma alteração contínua de padrões sociais e econômicos (aquele que sabe criar mais valor ficará financeiramente mais rico, e o que não souber ficará estagnado), o intervencionismo tem de recorrer a vários tipos de repressão para coibir essa “desestabilizadora” liberdade criativa do homem. Os tipos mais comuns de repressão são regulações burocráticas, legislações restritivas e impostos progressivos.

Da regulação e da legislação surge a coibição da realização e da criação; e dos impostos surgem a espoliação e a redução do incentivo material àquela criação. Destes três modos de coerção surge uma sociedade cujo centro principal de ação é a ação política — a ação que consiste em A decidir o que B pode ou deve fazer.

O intervencionismo é por isso o ecossistema natural da política, a sua justificação maior. Em uma sociedade em que as ideias socialistas prevalecem (clique aqui para entender a definição moderna de ‘socialismo’), a instituição central do corpo político, o estado, cresce e prospera, pois sua ação é legitimada pelos valores essenciais da ideologia predominante. A ação política torna-se assim um dos principais campos da ação humana. Compensa mais trabalhar para o estado do que trabalhar para o consumidor. O estado é utilizado para restringir a concorrência nos negócios privados (concorrência entre empresas, profissões e setores) e para obter rendimentos que seriam ilícitos em uma sociedade verdadeiramente livre.

A legislação, a regulação e o nível de impostos não têm limites — basta que sejam justificados com o chavão de “garantir o bem comum”. Todos os setores são “regulados” pelo estado, desde as universidades privadas (cujos cursos estão sujeitos à aprovação do Ministério da Educação e cujos currículos são integralmente definidos por este) aos serviços de táxi, passando pela proibição do comércio funcionar aos domingos e culminando na concessão de poder a uma ordem profissional para regular os padrões de qualidade dos seus profissionais quando o objetivo último é travar a concorrência dos jovens licenciados. De um extremo ao outro, a livre concorrência é proibida por agências reguladoras em todos os grandes setores da economia, e sempre em prol dos grandes empresários já estabelecidos neste setor.

Enfim, uma lista interminável que, com o argumento de regular, qualificar e legislar, tem como objetivo último a estabilidade e a segurança de organizações e grupos de pessoas em detrimento de outras.

O problema insolúvel do intervencionismo é que, para garantir a estabilidade de uns, promove a instabilidade e a destruição de outros. Em qualquer um daqueles exemplos é possível ver que, de um modo arbitrário, uns ganham e outros perdem. Em regra, o fator determinante para se ganhar é fazer parte do estado ou então estar próximo dele, por meio de amigos no alto escalão ou tendo influência ($) junto ao mesmo.

Mas, a partir de um certo ponto, todos os cidadãos são presas da própria figura do estado, mesmo os que vivem essencialmente dele e para ele. Quando o estado se instala em todo o seu esplendor intrusivo e tentacular, torna-se uma máquina com vida própria: os governos passam, os políticos passam, os altos funcionários e os sindicatos passam, mas as regulamentações e as legislações ficam, e a instituição estatal torna-se sempre um pouco maior a cada novo ciclo de ocupantes.

Cada mortal que passa pela estrutura burocrática do estado gosta de acrescentar uma legislação, uma regulação, uma secretária, repartição ou agência, um cargo, um imposto ou uma taxa.

Pessoas que fariam um grande bem a todos caso se dedicassem a criar e a produzir em seu benefício e do próximo, dedicam-se antes ao ofício político. Funcionários públicos que poderiam ter uma carreira mais válida do ponto de vista de realização pessoal e mais legítima do ponto de vista do bem social trocam a incerteza “do setor privado” pela segurança e comodismo do estado. Atividades que prosperariam mais se deixadas à livre concorrência já não são imagináveis fora do estado pelo comum dos cidadãos.

O estado é detestado porque intrusivo e autoritário, mas ao mesmo tempo é santificado, pois faz o que “os privados” não fariam — o cidadão comum já não consegue conceber que a educação, a saúde e a segurança social não sejam providos essencialmente pelo estado.
Ele acredita que, se não fosse o estado a ajudar os pobres, os desempregados e os aposentados, estes estariam todos na sarjeta (isto é, metade da população). Ele não consegue conceber que uma sociedade livre tem os seus próprios mecanismos naturais de solidariedade e que estes são pouco visíveis agora precisamente porque o estado monopolizou a assistência social absorvendo os recursos da sociedade civil que seriam destinados a esses fins. “Por que farei caridade se já pago impostos para que o estado faça a caridade por mim?”

O cidadão comum sente-se intimidado quando os intelectuais de esquerda o lembram dos trabalhadores darevolução industrial e das crianças que trabalhavam 10 horas por dia — mas não se lembra que esses trabalhadores foram para a cidade porque ganhavam aí muito mais do que no campo. E se na cidade e nas fábricas escuras e sujas as condições ainda estavam longe do ideal (estava-se no começo), esses heróis do proletariado morriam de inanição nos campos idílicos fantasiados pela esquerda onde as crianças trabalhavam igualmente, mas morriam muito mais. É como a China “comunista neoliberal”: os trabalhadores chineses ganham uma miséria quando comparados aos ocidentais, mas ganham 10 vezes mais do que no campo, e ainda mandam dinheiro para lá.

Apesar de todas as “ajudas” do estado serem sempre pagas pelo cidadão comum, ele de alguma forma acha que está se beneficiando dele; e se não estiver agora poderá vir a beneficiar depois. A quantidade de impostos que ele paga não é muito sentida, pois os impostos indiretos já são retidos pelas lojas, o imposto de renda e o INSS são retidos na fonte, e toda a cornucópia de outros impostos sobre o consumo já ficam na fatura — mais da metade do que ele paga na gasolina são impostos, mas nem se nota.

Os políticos são considerados moralmente corruptos, o atual modelo democrático-partidário está moralmente falido e financeiramente também (mas pode-se aumentar sempre os impostos), e o próprio estado já não é considerado pessoa de bem pela maior parte das pessoas.

Mas enquanto essa ideologia intervencionista — que nada mais é do que um desdobramento da ideologia socialista —, predominar na mente dos cidadãos, não se pode esperar outra coisa senão o progressivo crescimento desse estado, até ao ponto de putrefação e ruptura total.

por Rui Santos. Artigo publicado em 24.07.2015

* Economista e pesquisador-chefe do Instituto Ludwig von Mises de Portugal.

Filosofia

A maior dificuldade de ler os escritos de ideólogos, como por exemplo Marta Harnecker, Saul Alinsky ou Judith Butler, é que, comungando com seus leitores uma multidão de pressupostos culturais nebulosos, transmitidos por chavões e senhas sem um conteúdo intelectual analisável, não se destinam a ser COMPREENDIDOS, mas a reforçar uma identidade grupal e planos de ação coletiva entre pessoas que também não os compreendem, apenas se sentem, ao lê-los, numa atmosfera psicológica familiar.
Discutir esses livros filosoficamente é um desvio de foco. Eles só podem ser compreendidos psicologicamente.

Uma filosofia tem de conter em si mesma os princípios da sua própria inteligibilidade, ou pelo menos reportar-se a um critério de inteligibilidade externo identificável (por exemplo, um neotomista não precisa explicar de novo tudo o que Sto. Tomás já explicou). Ideologias não fazem uma coisa nem a outra. A rigor, são ininteligíveis. Só se pode compreendê-las em função de interesses grupais que elas antes encobrem do que revelam. Não podem ser propriamente compreendidas, só desmascaradas.

Por:  Olavo de Carvalho

O invencível exército dos levianos

 
Sidney Silveira
Só pode ser alegre quem sabe ser triste. Quem consegue viver os momentos de pesar, inescapáveis neste mundo repleto de dores e perdas,sem fingimentos de nenhuma espécie, sem entorpecer a consciência perante as questões morais decisivas. Em síntese, a genuína alegria é atributo de quem costuma avaliar com critérios objetivos o próprio agir. Nos antípodas desta situação equilibrada estão as pessoas que carregam no coração uma falsa leveza, a qual tem nome próprio e efeitos funestos: leviandade.
O leviano é alguém que inoculou na alma o hábito da dissipação mental. Geralmente ri muito e por motivos tolos, fala demasiado, é assertivo com relação a futilidades e crê em formulazinhas que o induzem a buscar a felicidade perfeita nesta vida. Para tanto, necessita deformar o conceito de felicidade e colocar no lugar dele placebos de auto-ajuda, de fácil apelo para o seu caráter camaleônico. Como salienta o filósofo Dietrich von Hildebrand num livro sobre as virtudes éticas fundamentais, o leviano contenta-se com decisões baseadas numa impressão fortuita, para não dizer irresponsável, do bem e do mal, do belo e do feio, daí o fato de poder ser ocasionalmente amável, generoso e solícito, mas sempre sem verdadeira nobreza.
A falta de silêncio interior faz do leviano uma pessoa sem princípios sólidos, os quais dependem de valores perenes fundamentados na realidade. Ocorre que uma torrente de sensações voluptuosas — em permanente confronto umas com as outras — acossa o espírito das criaturas caídas neste deplorável estado, transformando-as em joguete das debilidades que vão tomando conta do núcleo do seu ser, de maneira paulatina e progressiva. Este perpétuo sacolejar interior mata a possibilidade de firmeza de caráter e debilita a potência volitiva, razão pela qual o querer do leviano é inconstante. Uma mesma coisa pode parecer-lhe ora boa, ora má, sem justificativas plausíveis para a mudança de avaliação, tudo dependendo de humores circunstanciais.
Não é muito difícil perceber que o leviano é alguém vocacionado à deslealdade, mesmo sem o saber. Trata-se duma espécie de profissional da opinião irrefletida — típica de indivíduos cujas escolhas decisivas oscilam conforme momentâneas conveniências. Não que o leviano seja incapaz de amizade, mas na prática é inapto para perceber o que realmente nobilita uma relação entre amigos. Ele vive na superfície das próprias satisfações ou insatisfações cotidianas, e, na embriaguez das selvagens emoções às quais sucumbe, não mantém laços firmes com as demais pessoas. O leviano é, pois, o visceral amigo do próprio umbigo, e este seu resiliente egoísmo não provém do acaso, mas da incapacidade de renúncia, nota distintiva do amor. Ora, só renuncia quem possui, e o leviano jamais entra na posse efetiva dos bens imateriais: a beleza, a verdade, a unidade e a bondade são idéias voláteis, etéreas, na cabeça de quem vai sobrevivendo nesta falsa leveza de espírito.
Nas palavras de Hildebrand, no turbilhão de sua existência o homem leviano não consegue estabilidade nem mesmo nas coisas que leva a sério. É como uma peneira humana que deixa vazar o essencial, o sumo, o mais importante. Não sendo, pois, fiel às próprias impressões, porque estas mudam duma hora para outra, ao leviano está vedada a fidelidade às outras pessoas — não propriamente por malícia, e sim por inépcia. A sua desgovernada intensidade afetiva é uma erupção vulcânica que destrói a hierarquia dos valores e o faz perder a crença em si mesmo, embora camufle esta insegurança existencial com a assertividade frívola acima mencionada.
O leviano comete suicídio psíquico sem ter a mais ínfima noção do próprio estado. A sua ânsia de gozar o momento presente, malignocarpe diem do qual não consegue desagrilhoar-se, é signo perceptível da incapacidade de ir às camadas mais profundas da ação moral. Aqui, não sejamos eufemísticos: o leviano não ama; ele se entretém. Portanto, a cultura do entretenimento — imperante no mundo globalizado onde tudo tende a uma forçosa homogeneização a partir do que é baixo, vulgar, grotesco — é o habitat natural em que a sua irreflexão deita raízes. O coração leviano nunca será de ninguém, como diz uma canção popular.
Quando os chamados “bens culturais”, expressão equívoca a não mais poder, induzem à leviandade em larga escala, acontece o que vemos hoje: cresce o número de gente incapaz de manter relações profundas, sinceras, amigas. A alegria tem uma morte social, mas não para dar lugar à tristeza, como seria de se esperar, e sim a dissipações de todos os tipos. Em tal configuração, é loucura dar sem exigir de imediato algo em troca; a propósito, uma sociedade de levianos é hospício a céu aberto onde zumbis se arrastam pela vida apáticos diante do bem e do mal.
Esta cínica alegria dos levianos faz com que o seu contato com o mundo exterior seja representativo duma comunicabilidade ilusória, na qual a troca de bens reais, objetivos, simplesmente não existe. Se tal patologia, por desgraça, começa a ganhar terreno, a anestesia coletiva apodera-se do conjunto da sociedade de maneira insidiosa e faz destas almas ocas um exército imbatível, composto de rostos sem feições identificáveis.
Qualquer analogia da realidade descrita nos parágrafos acima com o Brasil contemporâneo não será leviandade.

Dos delitos contra a amizade

terça-feira, 14 de julho de 2015

Dos delitos contra a amizade: a ingratidão

Sidney Silveira
A ingratidão é o atestado de óbito da amizade por lesão gravíssima, seja qual for o grau de intencionalidade com que é levada a cabo: da fraqueza moral chamada comumente de “covardia” à cegueira da mente pura e simples — por cujo intermédio os benefícios recebidos vão esmaecendo, vão desaparecendo de maneira culpável da consciência do ingrato. Para este, o esquecimento mais ou menos voluntário dos bens com os quais foi aquinhoado serve de ferramenta para as mais sofisticadas autojustificativas, maligna indulgência relativa ao seu imoral proceder. Trata-se de muletas psíquicas pelas quais uma pessoa tenta desculpar-se a si própria e acaba por inculpar a quem lhe fez o bem. Como se pode adivinhar, o fim da carreira do ingrato é se transformar num mau-caráter de estrita observância.
À luz do que se disse acima, é importante prestar atenção a um detalhe: não é que o ingrato deixe de enxergar os benefícios auferidos nalgum momento de sua relação com um amigo, mas tende a minimizá-los acalentando a imagem de que ou não eram tão excelentes, ou de alguma maneira já estavam devidamente retribuídos. Esta radical incapacidade de ajuizar objetivamente os bens permutados numa amizade faz da ingratidão um pecado contra a ordem da justiça, ars boni et aequi. Na prática, o ingrato tende a desespiritualizar a amizade e sucumbe a diferentes tipos de materialismo, em geral camuflados. A propósito, não nos custa lembrar que Judas Iscariotes, o ingrato-mor, era administrador da bolsa comum dos apóstolos.
O ingrato não emerge do nada, nem surge por partenogênese. No Brasil contemporâneo — no qual a ingratidão é multitudinária —, não me parece ocioso lembrar que ninguém dorme São João e acorda Brutus: o ingrato começa a se desencaminhar a partir de mecanismos sutis que, aos poucos, o levam a perder o senso de proporções, a enfraquecer a capacidade de aquilatar a hierarquia de bens e males que há na realidade. O nutriente básico desta sua atitude desagradecida é um secreto complexo de inferioridade moral, permeado da conseqüente sensação errônea de ser injustiçado porque imagina dar mais do que recebe. Como se vê, o ingrato é péssimo psicólogo e instintivamente propenso a se aproximar dos medíocres. Propenso a tornar-se medíocre. Um escolástico diria que o pecado capital da acídia o fez recusar a excelência.
Outra nota distintiva do caráter do ingrato é a eriçada susceptibilidade, capaz de fazê-lo, por exemplo, jogar fora uma amizade por circunstâncias provenientes das mazelas humanas. Em síntese, ele é implacável nas miudezas e relapso nas coisas mais importantes; não por outro motivo, uma palavra dita em qualquer contexto um pouco mais tenso pode fazer esta criatura gelatinosa sentir-se mortalmente atingida, razão pela qual quem lida com gente assim não pode esquecer as luvas de pelica para o trato habitual. Ora, em vista desta invencível prontidão para se ofender, compreende-se porque o ingrato é, o mais das vezes, vingativo. Ou melhor, é o vingador das ofensas imaginárias ou superdimensionadas que o desequilibram, e este seu obscuro universo onírico é o samsara do qual não consegue se livrar. Não exageraria quem dissesse o seguinte: o ingrato tem morte psíquica ao apaixonar-se pela própria dor.
Vale ainda dizer que o arrependimento não é algo normalmente observável nas pessoas ingratas. Por quê? Bem, a explicação é simples: arrepender-se, e por conseguinte pedir perdão, implicaria extirpar os mecanismos de autovitimização com os quais o ingrato alimenta a sua alma. Seria, literalmente, curar-se. Ocorre que o vetor moral do ingrato é no sentido do remorso, realidade psíquica distinta — em gênero — do arrependimento. Em breves palavras, digamos que ao remordido de consciência falta a coragem de ir às causas do seu dramático estado; ele se condói porque os efeitos de alguma maneira o atingem. Por sua vez, o arrependido abre os olhos para as causas e busca removê-las, suportando com grande dificuldade a dor de contemplá-las. A dor de um mata; a dor de outro cura.
É atribuída a Alexandre Dumas a seguinte frase: “Grandes favores só podem ser pagos com a ingratidão”. Ela reflete, de maneira perfeita, o complexo de inferioridade moral que carcome a alma do ingrato, ao qual se fez alusão acima.
Não recorramos a circunlóquios e encerremos este breve texto sem dar margem a dúvidas de nenhum tipo: o ingrato é, sim, covarde, e a sua covardia é uma picada de escorpião.

O CARTEL NA POLÍTICA BRASILEIRA – (Apêndice Teórico)

 Ao longo dos últimos dois meses temos apresentado uma série de artigos (Parte I, Parte II, Parte III), em que denominamos o sistema partidário brasileiro, controlado por PT-PMDB e PSDB, como o de Cartel Político (Partido Cartel é o termo acadêmico usado). Esses partidos comandam quase metade dos municípios brasileiros, 2/3 dos Estados, possuem as três maiores bancadas no Congresso e têm altos gastos de campanha. Além disso, as coligações legislativas giram em torno desses três players. Logo, detêm os mecanismos políticos e econômicos para se manterem vitoriosos nas eleições.

Esta definição de Cartel Político tem como inspiração teórica o paper seminal dos cientistas políticos Richard S. Katz e Peter Mair apresentado na década de 90 (tradução espanhola “El partido cartel – La transformación de los modelos de partidos y de la democracia de partidos”), em que analisam como os partidos se organizam ao longo da história democrática.

Pois bem, o núcleo central do artigo citado versa sobre como a organização dos partidos modernos estão constituídos nas sociedades atuais. Comumentemente temos em nosso imaginário os grandes partidos de massa, representantes e mobilizadores dos diversos matizes sociais – bandeiras/correntes de pensamento: conservador, liberal, social-democrata, socialista etc. Mas, esse modelo de partido “puro” / ortodoxo já não existe na Europa desde a década de 60/70. A bem da verdade, a metamorfose partidária das legendas “tradicionais” para Partidos Cartel levou quase um século na Europa, e abrangeu outras modalidades (Partidos de Elite, Partidos de Massa, Partidos Catch-all e Partidos Cartel) que não serão detalhados, pois fogem ao escopo deste apêndice.

No Brasil, o processo de mutação dos partidos sofreu um curso digamos parecido, mas de maneira não continuada, dada as rupturas democráticas nas décadas de 30 (Estado-Novo) e 60 (Regime Militar), além, é claro, da particularidade do desenvolvimento econômico-social do país. Se direcionarmos nossa análise a partir dos anos 80, momento em que a abertura do Regime Militar permitiu a constituição livre de partidos, notamos uma transição acelerada do processo de metamorfose dos partidos brasileiros entre 1980-2005. Em destaque: 1) PMDB foi até meados dos anos 80, o grande representante da resistência ao regime militar, mobilizador das classes médias urbanas emergentes; 2) o PSDB, nascido da espinha dorsal deste último, foi um tradicional representante dos ideais da socialdemocracia europeia (welfare state e parlamentarista) até chegar ao poder em 1995; 3) o PT de 1980 até chegar ao poder e principalmente até o mensalão (2005), foi um fiel mobilizador dos sindicatos, funcionários públicos, trabalhadores sindicalizados, classes populares urbanas e rurais. 4) Partidos derivados da Arena (PFL e o atual PP) foram minguando e diluindo a participação no cenário político gradativamente com a morte de seus principais cardeais (ACM e seu filho Luiz Eduardo), bem como pela obsolescência política de outros como família Bornhausen e o malufismo. Assim, com as devidas abstrações é possível afirmar: conforme o presidencialismo de coalizão foi entrando em decadência durante a gestão Lula/Dilma como produto da famigerada tentativa de hegemonia do PT e da ausência de reforma política, o Cartel Político, por sua vez, foi ganhando corpo, principalmente a partir do momento em que o PMDB passou a constituir a base aliada do governo petista pós-mensalão em 2005. Diante disso, hoje o que dá sustentação ao débil governo Dilma, não são os partidos da base aliada (presidencialismo de coalizão), mas, sim, o Cartel Político (PT-PMDB e o líder da “oposição formal”, o rachado PSDB, que não construiu uma narrativa oposicionista ao longo dos últimos anos). Esses partidos, portanto, dominam a agenda política no Brasil, tanto a do governo (PT-PMDB), como a da oposição (capitaneada pelo PSDB). Mais: o debate sobre o impeachment da Presidente Dilma, bem como de uma eventual sucessão circunscrevem-se a essas três legendas (PT-PMDB-PSDB).

Quais, então, seriam as principais características de um modelo de Partido Cartel? As dez principais segundo os autores Katz e Mair são, a saber: 1) Política torna-se uma profissão (emprego) e não mais ideário para reformas sociais; 2) O Político vira um funcionário público dependente dos recursos do Estado, e não mais um servidor da população; 3) A competição eleitoral entre os partidos é restrita a poucos e relevantes partidos; 4) A entrada de novos participantes nas decisões são dificultadas (barreiras à entrada), pois para ser um partido com capilaridade há que se ter recursos cada vez mais elevados; 5) Altos gastos de campanha com financiamento público crescente; 6) Relação entre a cúpula e as bases do partido distantes, cabendo as oligarquias estaduais e nacionais controles sobre suas zonas de influência independente à cúpula; 7) A militância deixa de ter importância e passa a ser profissionalizada (paga); 8) Acesso privilegiado aos veículos de mídia; 9) O partido se infiltra dentro do Estado; distanciando-se de suas bases junto à sociedade civil; 10) Os representantes são agentes do Estado e não mais delegados efetivos da população que delega a representação para defesa de seus interesses. Os representantes, portanto, estão distantes da população.

Das dez principais características do modelo, podemos afirmar que o sistema político brasileiro atual enquadra-se muito bem no sistema de Cartel Político (Partido Cartel), sendo as 3 organizações PT-PMDB-PSDB detentoras dos desígnios do país. Não à toa, nos últimos 20 anos o Brasil teve a disputa centrada em PT X PSDB nas eleições presidenciais, sendo o PMDB da base aliada de ambos, em que pese na gestão FHC, o presidencialismo de coalizão ainda funcionar. Por isso, entendemos o Cartel como uma nova etapa de formação política a partir de 2005 (crise do mensalão). Para sermos mais precisos e irmos ao âmago da questão, são sob os interesses pessoais das cúpulas desses partidos, que estão os rumos políticos, econômicos e institucionais do Brasil. Hoje, 10 líderes partidários ou cardeais dominam a cena política brasileira, a saber: Lula, FHC, Temer, Calheiros, Serra, Alckmin, Aécio Neves, Sarney (perdeu força eleitoral) e os dois novos membros: Dilma, neófita; e Eduardo Cunha, chefe inconteste do baixo clero. Mais: a maior prova que são esses líderes que comandam a política brasileira, é que não há prévias nos partidos para a corrida presidencial e para muitos outros cargos. Os candidatos são escolhidos por votações simbólicas ou grandes conchavos (apadrinhamentos), que são características de povos patriarcais, como a dos latinos e ibéricos, diferentemente dos povos anglo-saxões (destaque EUA), onde as prévias são extremamente disputadas e aumentam a lisura do processo democrático.

Aqui é importante relatar outro fato: as bancadas em muitas oportunidades não estão alinhadas com a cúpula dos partidos, o que é uma característica intrínseca da definição de cartel. Por exemplo, é sabido que a bancada tucana na Câmara é pró-impeachment; já os cardeais tucanos não, com cada um deles e seu grupo defendendo seus próprios interesses. Alckmin sinaliza que não haja impeachment até 2018, pois assim entende que será favorito na eleição, já que o PT chegaria desgastado ao pleito; Serra dá a entender que não gostaria de ruptura política (mesmo que constitucional – via impeachment), pois flertaria com o parlamentarismo e com possível aceno do PMDB ao cargo de primeiro-ministro; Aécio gostaria de novas eleições, já que sabe que em 2018 a indicação deverá ser de Alckmin no PSDB. Já no PMDB, há alas que desejam o impeachment, pois temem que o partido sofra punição nas urnas por participar do governo Dilma e, principalmente, por não aderir à tese do impeachment. É mais do que sabido que os cardeais do PMDB não gostariam de um desenlace com o PT, pois imaginam que isso teria custos elevados – Dilma dificilmente cairia sozinha, além de o PMDB ter receio de assumir o passivo – esqueletos- das administrações petistas até 2018. Por isso titubeiam tanto, hora sinalizando conversas pró-impeachment, hora com falas moderadas. Ou seja: os cardeais desses partidos tomam as decisões tendo em vista, principalmente, a disputa de poder dentro do Cartel, e não necessariamente alinhado aos anseios de suas bancadas, militantes, eleitores ou de suas históricas bandeiras partidárias (liberalismo, socialdemocracia, socialismo, etc.). É daí que surge a explicação da falta de representatividade dos partidos. Logo, depreende-se que as legendas são meros instrumentos de poder nas mãos dos seus respectivos cardeais.

“Enquanto isso, o Brasil, em meio a incompetência política-administrativa de Dilma e a disputa de poder dentro do Cartel Político, caminha a passos largos para o buraco político-econômico-institucional. Diante desse cenário, a Nação precisa de um choque de gestão e de credibilidade. Precisa, portanto, de um novo governo. O impeachment não é uma bomba atômica, como disse FHC. É, sim, um instrumento constitucional de proteção da sociedade e das instituições, e que funcionou muito bem em 1992. Com certeza, agora levaria a uma reorganização das forças políticas no Congresso. E que nas eleições de 2018, o Brasil possa ter a necessária oxigenação na esfera política.

Nota: De forma alguma através desta análise, pretende-se mostrar que o PSDB seja igual ao PT ou ao PMDB. Não se trata disso, o que se almeja é desnudar a racionalidade dos atores, e como funciona o REAL jogo da política, que é ocultado pela cortina de fumaça produzido pelo marketing político. Reafirmamos: há divergências fundamentais, sim, entre PSDB e PT, as quais foram detalhadas ao longo das partes I, II e III. Porém, a arena política no qual esses partidos jogam é bem diferente da que o senso comum aponta. Sem dúvida, há fortes barreiras à entrada e à saída do Partido Cartel. A partir desse arcabouço teórico, fica mais fácil compreender o atual teatro político do impeachment da Presidente Dilma, bem como a crise política que vivenciamos, que em parte tem origem na disputa de poder dentro do Cartel e da falência do presidencialismo de coalizão nos termos que conhecemos. Isso não significa que não possa haver um rearranjo futuro das principais forças, mas entendemos que serão em novas bases.

por Cristiano Rodrigues e Vinicius Gouveia. Artigo publicado em 13.07.2015

O PT NA VISÃO DE QUEM QUER VÊ-LO FORA DA POLÍTICA NACIONAL

por Gen Bda Paulo Chagas. Artigo publicado em 13.07.2015

O PT é uma rica experiência partidária, construída com sangue de traidores como Celso Daniel e as esperanças de milhões de iludidos.

Nasceu para ser diferente e enganou quase toda a nação. Nasceu para mudar o Brasil, mudou-o e quase acabou com ele. No início da sua trajetória, em 1980, adotou, falsamente, um novo modo de fazer política, usando, basicamente, a mentira que sempre existiu na política brasileira. Cresceu lutando para que os excluídos tivessem a voz dos seus ventríloquos e que entrassem no seu curral eleitoral. Promoveu uma revolução social, que, pela primeira vez, colocou a ilusão da inclusão dos mais pobres e o combate à desigualdade no centro da agenda nacional em benefício da sua imagem de partido dos pobres e aprisionou, pela fome, milhões de pessoas!

A contribuição do PT para quebrar o país é concreta, evidente e inegável. Ninguém de boa fé pode deixar de reconhecê-la. Com o PT, a história do Brasil após o regime militar foi incomparavelmente mais desonesta e demagógica. Ao simular um novo modelo de desenvolvimento, baseado na solidariedade social e no combate à pobreza e à exclusão, o partido conseguiu manter-se no poder por mais de 12 anos, levando a população brasileira a pensar que tinha atingido um patamar inédito de dignidade e cidadania.

É por isto que o PT é hoje alvo da mais indignada campanha de desmascaramento já lançada contra um partido político no Brasil!

O ódio dos brasileiros ao PT é fruto do mau-caratismo político do partido, calcado em mentiras sociais que atenderam aos interesses de seus dirigentes e que exploraram demagogicamente preconceitos seculares, provando que o PT sempre foi uma legenda pior do que as outras.
É, de fato, extraordinário que uma nação marcada secularmente pela desigualdade e concentração de renda, pela dependência econômica e por sistemas políticos autoritários e excludentes, tenha acreditado que o PT iria mesmo realizar tudo o que propalou antes de chegar ao poder e nos últimos 12 anos, a começar pela mais falsa de todas as transformações, a promessa de acabar com a fome no país.

Esse novo Brasil, quebrado e falido, é o resultado de uma grande aliança, liderada pelo PT, que envolveu partidos, movimentos sociais e amplos setores do empresariado num conluio criminoso intenso e permanente.

Pela primeira vez as políticas públicas passaram a ser elaboradas com a participação dos vagabundos da cidade e do campo, das mulheres mal-amadas, dos negros acomodados, dos indígenas da FUNAI, da intelectualidade orgânica, da juventude arruaceira e alérgica aos livros, dos defensores dos direitos dos criminosos e da promiscuidade sexual e dos ecologistas do atraso em detrimento dos direitos e da vontade da maioria da sociedade, trazendo um sopro imoral e destrutivo para a vida pública.

O Brasil que, por decreto e efeito de esmolas, saiu do “Mapa da Fome” das Nações Unidas é o mesmo Brasil que se tornou uma das mais destroçadas economias globais; que dobrou a produção agrícola e se tornou um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, apesar da caótica logística de transporte e armazenamento e de todo o apoio dado pelo partido ao “exército do stédile” para que isto não acontecesse; que está entre os primeiros na indústria aeronáutica e entre os últimos na indústria do petróleo; que tem uma das mais vulneráveis posições em termos de reservas internacionais e que deixou de ser destino de investimento do mundo desenvolvido.

O novo Brasil do PT é o que dobrou as matrículas nas universidades, adotando as cotas para os desassistidos e mal preparados “frequentadores” de suas escolas públicas; que democratizou o acesso ao crédito e garantiu aumento real e constante dos inadimplentes; que criou uma bolha de milhões de empregos fictícios, que continuou a assentar e criar centenas de favelas no campo. É o que fingiu corrigir o desequilíbrio entre as regiões e levou obras superfaturadas ao Nordeste e ao Norte do país. É o que foi capaz de fazer tudo isso roubando e promovendo a instabilidade econômica.

O novo Brasil é um país que, graças ao PT, desrespeitou a confiança de seu povo e tornou-se motivo de chacota internacional. Que passou a praticar, submetido aos interesses do Foro de São Paulo, uma política externa subalterna, voltada para assegurar o poder dos ditadores latino-americanos e caribenhos, a cooperação com os tiranos da África e a duvidosa parceria com os BRICS, com prejuízo das suas tradicionais relações com a Europa e a América do Norte.

A corrupção, tanto privada como pública, é um objetivo fundamental do PT e, por isso, tem sido incentivada e praticada em caráter permanente. Seja no âmbito municipal, estadual ou federal, ela atende a uma das práticas básicas da democracia petista, o enriquecimento ilícito de empresários, do partido e de seus dirigentes.

A corrupção é um veneno moral, que degrada as pessoas e contamina a sociedade, sendo, portanto, indispensável aos interesses do partido. O PT, neste sentido, pode se orgulhar de ter promovido, nesses 12 anos, os mais significativos atos de bandidagem e de práticas criminosas, jamais vistos no Brasil.

O Congresso Nacional aprovou, nesse período, a chamada delação premiada, que a governanta Dilma Rousseff não vetou e que, hoje, é usada contra ela e o partido – bobeada ou excesso de confiança?

Reformar a Política brasileira sempre foi um compromisso programático do PT, enquanto fora do poder. Sempre sustentou que é preciso corrigir antigas e notórias distorções do sistema partidário e eleitoral, para que ele se tornasse mais ético e representativo da sociedade e mais aberto à participação cidadã. No poder, o partido acabou por adaptar-se ao sistema, passando a aperfeiçoar os comportamentos dos partidos tradicionais que tanto criticava e que, na verdade, invejava.

Dar o exemplo é o mais forte dos argumentos, na política e na vida, por isso, graças ao PT, o Brasil se tornou o campeão mundial da corrupção e, até que passe esta “lavagem a jato”, as instâncias do PT não mais aceitarão contribuições de empresas para sua sustentação. Essa foi uma decisão difícil de ser tomada por um partido acostumado à fraude, especialmente quando tem a responsabilidade de defender um projeto como o do Foro de São Paulo. Mas é um passo necessário, que vai diferenciar, temporariamente, o PT das estruturas viciadas que hipocritamente critica.

O partido esforça-se para mudar sua aparência e continuar mudando o Brasil, sem esquecer que corrupto e cleptomaníaco não se escreve sem PT!

(*) Baseado em texto de Rui Falcão, Presidente do PT.

Entrevista com o Princípe Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Por Pedro Jácome

Ontem, eu tive o prazer de conversar com Dom Bertrand, o Princípe de Órleans e Bragança, bisneto de Dom Pedro II.
Pedi uma entrevista a ele, mas a conversa estava tão boa, que apenas pedi que ele me deixasse gravá-la e eu extrairia as partes que mais considerasse interessante.
No texto abaixo, não está nada sobre Império e República, nem as perguntas mais pessoais que fiz a Dom Bertrand, sobre religião e cultura.
Pretendo transcrevê-las posteriormente e disponibilizá-las no meu facebook para quem tiver interesse.

O fato é que encontrei em Dom Bertrand um dos sujeitos mais preparados para discutir o Brasil. Um homem de imensa cultura e extremamente informado. Algumas falas dele podem causar certo estranhamento, é verdade. Mas a conversa de ontem foi bastante enriquecedora, tanto pelas informações, quanto por me colocar em contato com uma perspectiva diferente de mundo. Espero que vocês também aproveitem.

Como a conversa foi bem informal, dividi a entrevista por tópicos em vez de perguntas.
As respostas estão em português falado e não escrito.

AGRICULTURA

Quando foi proclamada a República, o Brasil tinha 12 milhões de habitantes. Quando da Independência, 4. Hoje temos 200 milhões.
Mas temos capacidade de ter muito mais. Você viaja pelo interior e vê que está tudo vazio.
Mas o Brasil tem hoje a capacidade de alimentar um bilhão de pessoas.
O Brasil, aliás, produz alimento para um bilhão de pessoas.
É por isso que nós não estamos tão afundados na crise. Por causa da agricultura.

Hoje, a cesta básica custa, para o povo, a metade do que custava 20 anos atrás.
Atualizando a moeda. Por causa do progresso da agricultura.

Eu viajo Brasil afora e vejo que há terras à vontade para serem cultivadas.

Eu passei minha infância no Paraná. O paraná tem 2,3% do território nacional. É menor que pernambuco. Tem 1/3 de agricultura, 1/3 pecuária e 1/3  de floresta, cidade,etc.

1/3 de 2,3% dá 0,8%. O Paraná produz, hoje, 20% da agricultura nacional. Se 0,8% do território dá 20% da produção, se vê que o potencial é altíssimo.

INDÚSTRIA

O problema é que o governo atual quebrou a Indústria. Destroçou a Indústria. Mantendo o dólar como estão mantendo, com todas as restrições, com o chamado Custo Brasil… Não temos portos, temos impostos colossais…

Sem contar… um automóvel, 50%, 60% custa de impostos. Uma casa popular, 49% são impostos. Feijão, vinte e tantos porcento. Gasolina, 53% de impostos.

POLÍTICA EXTERNA

A política não pode ser uma questão de governo. Não pode estar submetida a um partido que tomou o poder naquele momento. A política externa do Brasil é um desastre.
Esse apoio à Venezuela, à Bolívia.
O caso da Bolívia… o presidente da Bolívia, confiscou manus militaris as refinarias do Petrobras. Logo depois, o Lula ainda o presenteia com mais refinarias petrolíferas.
É uma política que não visa os benefícios da nação, mas uma agenda ideológica para favorecer os países bolivarianos, que são fonte de miséria.
Qual a situação de Cuba? Um desastre! Cuba produz menos açucar hoje do que produzia 50 anos atrás, ou antes de Fidel Castro.
Basta ver as fotografias dos automóveis nas ruas de Cuba, carros da década de 50.
Virou uma ilha prisão.

A Venezuela está quebrada.
O Equador, está uma revolução, por que o Correa quer impor impostos escorchantes. Quer confiscar a propriedade.

Tem uma política inteiramente ideologizada, que tem uma agenda de bolivarianismo marxista.

E o presidente Lula abriu tantas embaixadas, mas hoje várias delas não têm condição de pagar luz, telefone.

A situação dos diplomatas está muito ruim.

CRIMINALIDADE

A crise no Brasil e no mundo é muito mais moral e religiosa do que outra coisa.
Não é só escola. Olha esse pessoal do lava jato, mensalão, dólar na cueca….
Todo esse pessoal é escolarizado. Tem formação universitária.
Não é questão de alfabetização.
Sem se restaurar a moral, não há solução.

MEIO-AMBIENTE

Desde que Cabral desembarcou até hoje, segundo estudos da EMBRAPA, feitos por satélite, com precisão milimétrica, foi desbravado 16% da Amazônia, mas sobretudo Cerrado e Cerradão.
O estado do Amazonas, segundo estudo da Embrapa está em 97% (de preservação), está intacto.
69% da vegetação originária do Brasil está intacta. O Brasil é um dos países que menos polui.
O país que mais polui hoje em dia, é a China, de longe.
2o lugar é os EUA, 3o a Rússia, 4o a índia e 5o o Japão.
A China é responsável por 20 e tantos por cento.
O Brasil, o sexto maior país do mundo, atende por apenas 1,4%.

E, pra completar, falam que o problema é o gás carbônico. Imagina então que vamos combater o gás carbônico. Nós morreríamos todos.

As cidades, sim. Existem ilhas de calor e de poluição.

Hoje, nós temos estudos que provam qual foi o clima nos últimos mil anos.
É bonito porque foram num mosteiro na Suiça e os livros paroquiais franceses.
E se mostra que houve períodos muito mais quentes na idade média.
Os cientistas chamam o “ótimo periodo quente medieval”.
A Groelândia, como chama em inglês? Greenland. Terra verde. Tinha cidade, tinha bispo, tinha agropecuária.
Hoje é um pedaço de gelo.

ONU e ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

É um desastre.
Eu tenho um cunhado, princípe Belga, disse que em Bruxelas, o Parlamento Europeu, é o maior antro de corrupção da europa. São mais de mil lobbies para pagar os parlamentares, para fazer uma lei que favoreça este ou aquele grupo.

A realidade é a seguinte: assim como as plantas tiram sua fertilidade da terrafértil, a vitalidade de um povo não vem de cima pra baixo, vem de baixo pra cima.
Um governo que abstraia esse princípio, que queira reger tudo de cima pra baixo, não pode dar certo.

BUROCRACIA

Luís XIV, no começo do absolutismo, que já foi um erro, porque começou a centralizar…
Bem, ali a França tinha 25 milhões de habitantes, 15 mil funcionários públicos.
Hoje a França tem 50 e poucos milhões de habitantes, tem 1,5 milhão.
O Brasil, nem se fala, né?
A Grécia, então… nunca se viu uma coisa igual.
Cada poste tem 5 funcionários…

SERVIÇOS PÚBLICOS

São Paulo tem boas unviersidades privadas e boas universidades do estado. Um aluno da universidade do estado custa 18 vezes o da universidade privada. Um leito no hospital do estado custa 22 leitos num hospital privado.

O grande problema do Brasil é o custo dos impostos. As pessoas não têm dinheiro pra economizar.

A educação tem dois casos interessantes, duas cidades, Cuiabá e Maringá. Em Maringá, o prefeito vendo os custos da prefeitura pensou… por lei, eu não posso privatizar. Mas ele estimulou grupos de professores a formarem grupos de empresa para que assumissem as escolas, a prefeitura pagaria. Uma concessão.
Depois Cuiabá imitou.

Ele me disse: hoje, as escolas administradas desse modo custam 1/3 do que custam as escolas administradas pelo Estado.
30% dos professores da rede pública têm licença por alergia a giz. Depois tem greve, as salas de aula estão sujas.
Nessas escolas, eles têm tratos: não pode falhar, se falhar tem multa. As escolas são limpas, ordenadas….

PROTECIONISMO

Hoje, você compra no Chile um carro Toyota fabricado no Brasil, pela metade do preço que você compra no Brasil. Por quê? Por causa dos impostos.

Por exemplo, a EMBRAER, tempos atrás, a EMBRAER fabricava aviões, eu sei disso porque eu sou piloto civil, eles faziam aviões muito bons. A EMBRAER é hoje a 3a maior fabricante de aviões do mundo. Os aviões do Brasil pagavam uma carga de impostos colossal, de modo que ficava mais barato comprar aviões estrangeiros, por causa dos impostos daqui. Ou seja, é muito mais o custo do Brasil que outra coisa.

Mas no caso Chinês, os chineses têm a intenção de quebrar a economia dos outros países pra dominar o mercado. Então, isso é outro aspecto, há um certo capitalismo selvagem… tem uma fábrica no Brasil, e vamos fechar pra fazer na China, porque é muito mais barato.
Diante de uma concorrência desleal, o país tem que se proteger.

O PODER E O DESASTRE

Os petistas, acuados, estão vivendo num estado misto de transe e tara política, orientados por seus líderes e, com isto, levando o país para o caos institucional. O encontro clandestino de Dilma Roussef e Ricardo Lewandowski para tratar da Operação Lava Jato, em Portugal, demonstra que não há mais qualquer resíduo de pudor, decência e vergonha no comando da República. Em nenhuma circunstância Lewandowski poderia ter se encontrado com Dilma, fora de uma agenda protocolar e pública, muito menos para tratar de assunto que vai desaguar no Judiciário, que ele preside. Cornelius Castoriadis escreveu, no ensaio a Indústria do Vazio, a propósito da decadência moral da academia francesa, um diagnóstico que se aplica à nossa República dos tempos atuais. Transcrevo pequeno trecho: ” ‘Na República das Letras’ há – ou havia, antes da ascensão dos impostores – costumes, regras e padrões. Se alguém não os respeita, cabe aos outros chamá-lo à ordem e pôr o público de sobreaviso. Se isso não é feito, a demagogia incontrolada, como se sabe de longa data, conduz à tirania. Ela engendra a destruição – que progride ante nossos olhos – de normas e comportamentos efetivos, públicos, sociais, que estão pressupostos na busca em comum da verdade. Aquilo porque somos todos responsáveis, precisamente enquanto sujeitos políticos, não é verdade intemporal, transcendental, da matemática; se ela existe, ela está imune a todo o risco.

O que é de nossa responsabilidade é a presença efetiva dessa verdade na e para a sociedade em que vivemos. E é essa presença que está sendo arruinada tanto pelo totalitarismo como pela impostura publicitária. Não se insurgir contra a impostura, não a denunciar, equivale a tornar-se co-responsável por sua eventual vitória… . A democracia só é possível onde há um ethos democrático: responsabilidade, pudor, franqueza, controle recíproco e consciência aguda de que as vantagens públicas são também vantagens pessoais de cada um de nós. E, sem um tal ethos, não pode mais haver República, mas apenas pseudoverdades administradas pelo Estado, pela mídia.

Castoriadis está constatando que a degeneração moral e a empulhação destroem a democracia. O Congresso é ainda o poder mais representativo do povo e é do povo que o único poder legítimo emana. Não podem os congressistas, diante de tamanha degradação, se omitir mais uma vez. Se o fizerem, diante do atual quadro de ruína moral daqueles que ocupam os mais altos cargos da República, preocupados apenas em sobreviver em suas posições, a qualquer preço e por meio de negociatas clandestinas, estará escancarada a porta da insegurança institucional, estarão revogadas as nossas garantias jurídicas e, em consequência, um estado de coisas fora da lei pode tomar conta do país.

Não podemos confiar, apenas, na atuação heroica de um magistrado, no caso o juiz Sérgio Moro e na devassa que ele está fazendo nos porões dos mecanismos de corrupção entranhados na Petrobrás e Eletrobrás. As ações de Moro estão limitadas por sua jurisdição e todas se encaminharão para os tribunais superiores. Enquanto isto, o PT se sustenta no poder por meio de arranjos obscuros e de um mandato cuja legitimidade material já não existe. A cada dia que passa, mais surgem elementos que provam a sua articulação com esquemas de corrupção com empreiteiras, entranhados na administração da Petrobrás e da Eletrobrás.

Estes esquemas atingem diretamente a presidente da República, que perdeu toda a autoridade recebida das urnas para governar com base em padrões éticos. Dilma Roussef não é mais do que uma desgraçada personagem de folhetim político vulgar, que só permanece no cargo porque seu partido conta com a sustentação de uma elite que domina a mídia e patrocina aquilo que Castoriadis chama de administração de pseudoverdades. Fosse um político de outro partido, editoriais sucessivos e indignados já teriam, há muito tempo, exigido a sua renúncia. Se nossas elites corromperam-se pela adesão psicótica ao petismo, como se observa numa simples leitura de um grande jornal brasileiro, cabe a maioria esmagadora do povo preservar sua sanidade e exigir que esta farsa continuada, desastrosa para a nação, tenha fim.                                                                                                                                                                                                       Por Luis Milman. Artigo publicado em 11.07.2015

Cristianismo

Toda comparação entre as filosofias e o cristianismo – um vício incurável dos historiadores da filosofia – é um despropósito completo, pois uma filosofia não passa de uma doutrina, de pensamentos que um homem pensou, e o cristianismo é a presença agente do próprio Deus no mundo. Diferem entre si como a idéia de uma coisa difere da coisa. Você pode pensar em gatos pelo resto da sua vida e isso não fará brotar dos seus pensamentos um gato de carne e osso. Um filósofo pode criar os mais belos argumentos para validar a sua filosofia, mas não pode produzir um milagre para comprová-la, multiplicando pães ou fazendo cessar uma tempestade. Aristóteles dizia que a verdade só existe no juízo, isto é, num pensamento, mas, quando Jesus Cristo diz que Ele próprio é a Verdade, essa verdade não está presente no pensamento e sim na realidade do mundo. Quando o cristianismo se confronta com as filosofias, ele lhes faz, por assim dizer, concorrência desleal, tal a desproporção de substância ontológica entre o ser e o pensar.

Mutatis mutandis, se um filósofo quiser impugnar o cristianismo ele só poderá fazê-lo em pensamento. Suprimir os milagres cristãos por um ato de pensamento seria o mais espantoso dos milagres.