Os sonhos dos politicos.

Inúmeros aspectos do comportamento humano, além da pouca compreensão da realidade, são fundamentais para a sobrevivência dos canalhas na política. Vamos analisar alguns deles.

Os impostos e as cotas de importação aumentam o preço do açúcar. Michael Wohlgenant e Vincent H. Smith, no artigo “Bitter Sweet: How Big Sugar Robs You” (The American, fevereiro 2012), dizem que as restrições à importação de açúcar custam à economia, em média, mais de três bilhões de dólares por ano, com a elevação dos preços dos alimentos. Esse é o lado do custo. Por outro lado, os 40 mil americanos que trabalham na indústria açucareira são beneficiados pelas restrições à importação, porque aumentam os preços do açúcar e proporcionam salários e lucros maiores. Alguém poderia perguntar, com toda razão, “como é possível que tão poucos imponham tamanho custo sobre os outros 312 milhões de americanos”?

Isso é facilmente explicável por um fenômeno ao qual os economistas se referem como benefícios concentrados e custos dispersos. Vale a pena para os envolvidos com a indústria açucareira fazer lobby no congresso e contribuir com campanhas políticas para ganhar alguns votos em favor das restrições sobre o açúcar importado. Eles recebem bilhões a mais em lucros e salários. Esse é o lado de beneficiados. O custo é o preço que os 312 milhões de consumidores americanos pagam pelo açúcar, aumentando os custos anuais dos alimentos em 9 dólares por pessoa. Os membros do congresso não têm problemas para impor esse custo, pois sabem que poucos americanos encarariam o desafio de tentar derrotar um deputado cujas ações custaram à sua família 40 ou 50 dólares por ano em açúcar. É mais barato simplesmente pagarmos mais.

Os impostos sobre o açúcar e as cotas de importação produzem efeitos que vão além do simples aumento dos preços dos alimentos. Chicago era a capital dos doces dos Estados Unidos. Nos anos 1970, os fabricantes de doces de Chicago empregavam 15 mil pessoas. Agora empregam apenas 8 mil e o número vem caindo. A Brach empregava 2300 pessoas; agora a maior parte desses empregos está no México. A Ferrara Pan Candy também mudou a sua fábrica para o México. Sim, os salários são mais baixos por lá, mas eles não são o único fator que levou as fábricas de doces a deixarem os Estados Unidos. O custo do açúcar é um fator muito importante e o preço do açúcar no México é uma fração (30 a 50%) do preço do açúcar nos Estados Unidos. Depois de 90 anos, a Life Savers se mudou para o Canadá. Os salários canadenses são próximos dos americanos, mas o custo anual do açúcar para a Life Savers é US$ 10 milhões menor.

A maioria dos americanos é decente e se importa de verdade com o bem estar de seus compatriotas. Poucas coisas criam tantas oportunidades para manipuladores egoístas e políticos estelionatários explorarem esse senso de decência quanto os salários dos pobres. Gabe Zaldivar, em um artigo entitulado “Dallas Cowboys Reportedly Involved in Sweatshop Exploitation” (Bleacher Report, janeiro 2012), adverte, “antes de você colocar um casaco ou um cachecol adornado com o escudo do “America’s Team”, lembre-se de onde eles vieram. Talvez você prefira ficar com frio.” Os Dallas Cowboys compram parte de sua linha esportiva de fábricas em Phnom Pehn, no Camboja, onde mulheres como Kol Malay, que é citada no artigo, ganham apenas 100 dólares por mês. Com um salário desses, ela pode pagar por um apartamento do tamanho do banheiro de uma casa americana. Zaldivar lembra que a Nike e outras gigantes esportivas sofreram duras críticas no passado por fabricarem roupas em sweatshops e em “ambientes de trabalho que flagrantemente violam os direitos humanos.”

Acho que é desnecessário dizer que Kol Malay não trabalharia por 100 dólares por mês se ela houvesse outro emprego que lhe pagasse mais. E será que a situação de Kol Malay estaria melhor se o Dallas Cowboys fosse forçado a fabricar os seus artigos nos Estados Unidos ao invés de em Phnom Pehn? Eu acho que estaria pior. Você pergunta: “e quem estaria melhor nesse caso?” Os trabalhadores americanos. Talvez isso explique porque os sindicatos americanos são grandes apoiadores de um salário mínimo obrigatório a ser pago pelas companhias americanas nos países do terceiro mundo. É loucura acreditar que os sindicatos americanos estão preocupados com o bem estar de pessoas como Kol Malay.

Desigualdade de renda

O movimento Occupy Wall Street mostra que os americanos podem ser facilmente seduzidos por algumas alegações sobre desigualdade de renda. Isso ajuda a explicar a popularidade da redistribuição e os apelos para que os ricos “devolvam” algo à sociedade. Para os portadores de determinada visão de mundo, essa ideia faria sentido.

Mas suponhamos que exista uma pilha gigante de dinheiro e que ela devesse ser dividida igualmente entre todos os americanos. A razão pela qual algumas pessoas teriam mais dinheiro que outras seria porque tinham chegado primeiro à pilha e gananciosamente se apropriado de uma fatia maior do que lhe cabia. Sendo esse o caso, a justiça deveria fazer com que aqueles que ficaram com uma fatia grande demais, devolvessem parte dela, e caso não o fizessem voluntariamente, o congresso deveria confiscar os seus ganhos ilícitos e retorná-los aos seus legítimos proprietários.

Ou talvez a renda pudesse ser dividida por um distribuidor de dólares. A razão pela qual algumas pessoas teriam mais dólares do que outras seria porque que o distribuidor é racista, sexista, multinacionalista ou conservador. Para aqueles que receberam uma quantidade injusta de dólares do distribuidor, a única alternativa seria a redistribuição do dinheiro. Se isso não acontecesse voluntariamente, o congresso deveria enviar o IRS (Receita Federal dos EUA) para confiscar os ganhos injustos.

Os sãos entre nós reconhecerão que em uma sociedade livre, a renda não é coletada em uma pilha ou espalhada por um distribuidor; na maioria das vezes, ela é obtida pela satisfação das necessidades de outras pessoas. Quanto maior for a sua capacidade de exercer essa função, maior será a parcela da produção do outro que ele receberá. Essa parcela é representada pelos dólares que recebe.

Certificados de Desempenho

Digamos que eu corte a grama da sua casa e pelo trabalho você me ofereça 20 dólares. Eu vou ao supermercado e peço, “deem-me dois quilos de carne e seis cervejas que outras pessoas produziram”. Na realidade, o funcionário do supermercado me pergunta “Williams, você está pedindo para ser servido por outra pessoa, mas você a serviu?”. Eu respondo: “sim”. Ele me diz: “então prove”. Então eu tiro do meu bolso os 20 dólares que ganhei por ter cortado a grama. Nós podemos pensar nesses 20 dólares como “certificados de desempenho”: eles são a prova de que eu servi outra pessoa. E isso não seria nada diferente caso eu fosse um ortopedista com muitos clientes, que ganhasse US$ 500 mil por ano servindo outras pessoas.

A propósito, tendo cortado a grama da casa de alguém ou cuidado de sua fíbula fraturada, o que mais eu poderia dever a ele ou a qualquer outra pessoa? Quais são os argumentos em favor de forçar alguém a doar algo em retorno? É claro que a questão seria completamente diferente caso alguém desejasse fazer caridade.

Contraste a moralidade de esperar que alguém tenha servido à outra pessoa para ter direito a algo que ela produz, com o governo, onde basta que o congresso diga “você não precisa servir a ninguém para ter direito ao que ela produz. Nós vamos tomar o que ela produzir para lhe entregar. Basta que você vote em mim”.

Não é complicado entender como ainda somos enganados por charlatães, mas esse é um processo que precisa ser sempre explicado.

Por Walter Williams.

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